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“Destemperado” e “ideológico”: imprensa mundial condena Trump

Da redação
10 de julho de 2025
Com justificativas ligadas ao julgamento de Bolsonaro, medida de 50% sobre produtos brasileiros é vista como intervenção política sem precedentes e reacende temores sobre a política externa errática do presidente dos EUA

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil a partir de 1º de agosto gerou forte repercussão na imprensa internacional. O motivo político alegado — o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) — despertou críticas generalizadas e preocupações sobre os rumos das relações comerciais entre Washington e Brasília. A medida foi anunciada por meio de uma carta direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e postada nas redes sociais de Trump na quarta-feira (9).

Na comunicação, Trump criticou o processo judicial contra Bolsonaro, a quem chamou de vítima de uma “caça às bruxas”, e afirmou que o tratamento dado ao ex-presidente brasileiro representa uma “vergonha internacional”. Lula rebateu, também via redes sociais, classificando as alegações como falsas e prometendo responder ao tarifaço com base na Lei de Reciprocidade Econômica, reforçando que o Brasil é um país soberano.

Tom político e pressão ideológica

Em seu site, a revista Time mostra que o governo Lula topou enfrentar a escalada tarifária em defesa de Bolsonaro.

O New York Times destacou que Trump está tentando “usar tarifas como um porrete” para interferir em um julgamento criminal em um país estrangeiro, classificando o gesto como um exemplo extremo de abuso de instrumentos econômicos. O jornal também apontou um erro factual na justificativa de Trump: ao contrário do que alegou, os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil, que foi de US$ 7,4 bilhões em 2024.

O Wall Street Journal noticiou que o assalto tarifário agitou os apoiadores de Bolsonaro, político que ganhou força em 2018 diante de um onda de insatisfação com corrupção e crime

No Reino Unido, a BBC ressaltou que Trump acusou o Brasil de realizar “ataques” contra empresas americanas de tecnologia e reiterou a narrativa de perseguição a Bolsonaro. A emissora traçou paralelos entre os dois líderes, “ambos perderam eleições presidenciais e se recusaram a reconhecer publicamente a derrota”, e destacou que, embora Trump tenha enviado cartas tarifárias a outros países, a correspondência ao Brasil teve um tom “muito mais direcionado”.

O britânico Financial Times no dia seguinte citou o aumento do preço do café nos EUA e o documentário Apocalipse nos trópicos, que detalha como Bolsonaro ganhou e perdeu poder ao lado dos evangélicos

Também britânico, porém mais à esquerda, o Guardian descreveu o documento como “destemperado”, destacando que ele destoa completamente dos textos padronizados enviados a outros países, em que apenas se ajustavam nomes e taxas. O jornal também comparou o julgamento de Bolsonaro aos eventos que culminaram na invasão do Capitólio em 2021, reforçando os paralelos entre a crise política no Brasil e os episódios mais graves da era Trump nos EUA.


Na Espanha, El País avaliou que o presidente norte-americano “ultrapassou limites” ao usar tarifas como forma de pressão ideológica sobre governos que não compartilham de suas visões políticas. O jornal também traçou paralelos entre Trump e Bolsonaro, ambos acusados de tentar reverter resultados eleitorais, e relembrou que o republicano instigou a invasão do Capitólio em 2021, assim como Bolsonaro é investigado pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.



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