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Preço do café sobe após tarifa dos EUA sobre o Brasil

Da redação
10 de julho de 2025
Decisão abrupta de Trump abala o mercado global de café e eleva preços futuros, segundo o New York Post

Os preços do café voltaram a subir no mercado internacional após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre as importações vindas do Brasil., maior produtor global do grão. A informação é do New York Post, que relata que a decisão provocou forte reação nos mercados de commodities e elevou a volatilidade nas negociações de futuros.

Nesta quinta-feira (10), os contratos futuros de café arábica na bolsa Intercontinental Exchange (ICE), em Nova York, atingiram US$ 288,67 por libra-peso, alta de 0,99% no dia. O avanço sucede o aumento de 2,6% da véspera, influenciado por preocupações com o tempo seco na região produtora brasileira.

Apesar de uma queda de 17% no mês anterior, com o avanço da colheita e expectativas de maior oferta, os preços ainda estão cerca de 18% acima do registrado há um ano.

Motivações políticas

O cenário se agravou com o anúncio de Trump, feito em uma carta publicada em sua rede Truth Social, na qual acusa o governo brasileiro de “atacar a liberdade de expressão” e de conduzir uma “caça às bruxas” contra seu aliado Jair Bolsonaro.

Trump também justificou a medida como resposta a uma “relação comercial muito injusta” com o Brasil, embora os EUA tenham fechado 2024 com superávit de US$ 7,4 bilhões no comércio bilateral de bens, segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, respondeu na quarta-feira (9) que o país adotará medidas proporcionais, com base em uma nova legislação que permite retaliações comerciais.

Impacto e preocupações

Especialistas do setor afirmam que a medida gera insegurança e deve afetar consumidores e empresas dos EUA. “O problema não são tarifas entre EUA e Europa. O problema é impor tarifas sobre países produtores, como Brasil e Vietnã”, afirmou Giuseppe Lavazza, presidente do grupo italiano Lavazza, ao Financial Times. Ele alertou que o custo final do café subirá para os americanos.

O Brasil é o maior exportador mundial de café arábica, grão usado em produtos de maior qualidade. A colheita de 2025 está 40% concluída, abaixo dos 52% registrados nesta época no ano passado. A volatilidade nos preços também foi agravada pela queda de mais de 2% do real frente ao dólar, o que estimula as exportações brasileiras e pressiona os preços em dólar.

Embora o impacto inicial das tarifas tenha sido de alta nos preços por receio de desabastecimento, analistas alertam que, no médio prazo, a medida pode reduzir a demanda americana por café brasileiro, provocando uma possível correção nas cotações.


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