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Exportação de suco de laranja ficará insustentável, alerta CitrusBR

André Vargas
10 de julho de 2025
Entidade alerta que nova alíquota dos EUA aumentará os tributos em 533%, consumindo até 70% do valor do produto

A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) lançou um comunicado sobre as consequências do tarifaço de 50% aos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. A entidade alerta para perdas pesadas logo após a colheita da safra, encerrada em 30 de junho. Os EUA representam 41,7% das exportações do produto, somando US$ 1,31 bilhão em faturamento, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A CitrusBR pede que o governo brasileiro negocie diante de riscos para ambos os lados, produtores brasileiros e consumidores americanos. “A medida também afeta empresas americanas que têm no Brasil o seu principal fornecedor de suco de laranja”, diz a nota. “A escalada entre governos não é o caminho“, completa adiante.

“Essa nova tarifa representa um aumento de 533% sobre os US$ 415 por tonelada que já eram cobrados sobre o suco brasileiro. Considerando a cotação da Bolsa de Nova Iorque de 9 de julho (US$ 3.600 por tonelada de suco concentrado), cerca de US$ 2.600 — ou 72% do valor total do produto — passariam a ser recolhidos em tributos, inviabilizando as exportações para aquele mercado sem que haja graves prejuízos para toda a cadeia. Trata-se de uma condição insustentável para o setor, que não possui margem para absorver esse tipo de impacto”, afirma o comunicado.

Para a entidade, as consequências serão graves, desorganizando um setor que movimenta US$ 314 bilhões. O tarifaço que deve vigoram a partir de 1º de agosto desorganizará o setor, interrompendo o próximo plantio, atingindo o fluxo das processadoras e paralisando o comércio diante da incerteza. 

Redirecionar a produção para Japão e Europa não seria uma solução imediata. A CitrusBR acredita que seria improvável que a Europa conseguisse absorver os excedentes do mercado americano sem deterioração dos preços. A Europa já é o principal mercado do suco brasileiro, com 52% das exportações da safra 2024/25, porém há uma retração, já que o volume sofreu uma queda de 24% em relação às 495.602 toneladas da safra anterior. Apesar do recuo, o faturamento avançou 22,9%, passando de US$ 1,40 bilhão para US$ 1,72 bilhão. 

No caso do Japão, os embarques recuaram 30%, passando de 27.668 toneladas para 19.356 toneladas, com aumento de faturamento de 26,3% (de US$ 86,2 milhões para US$ 108,9 milhões). A China apresentou a maior retração entre os principais destinos: as exportações caíram 63,2%, de 81.808 toneladas para 30.114 toneladas, com perda de receita de 27,2% (de US$ 142,3 milhões para US$ 103,5 milhões).

“As consequências sobre a produção nacional, os empregos e a competitividade do setor seriam imediatas. A CitrusBR, em comunicação com o governo brasileiro, reiterou, a necessidade de que o Brasil exerça plenamente sua tradição diplomática, mobilizando todos os recursos do Estado brasileiro para lidar na proteção dos interesses dos seus cidadãos, do emprego e da renda”, finaliza. 

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