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Itamaraty rebate crítica da Economist a Lula

Da redação
1 de julho de 2025
Em carta, pasta defendeu “moral indiscutível” do petista. Chanceler declarou que presidente está entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir na destruição

O Ministério das Relações Exteriores rebateu nesta terça-feira (1º) a revista britânica The Economist, após uma reportagem criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citando que o petista perde influência no exterior e enfrenta a impopularidade interna. Em uma carta assinada pelo chanceler Mauro Vieira, o Itamaraty cita a presença de Lula nos principais fóruns internacionais e afirma que a autoridade moral do petista é indiscutível. O problema é que a maior parte dos argumentos em favor do presidente brasileiro não contrapõem os eixos centrais da reportagem.

“Para humanistas de todo o mundo, incluindo políticos, líderes empresariais, acadêmicos e defensores dos direitos humanos, o respeito à autoridade moral do presidente Lula é indiscutível. Lula não é popular entre os negacionistas climáticos. Em face de uma nova corrida armamentista, ele está entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir na destruição, em detrimento da luta contra a fome e do aquecimento global”. O Itamaraty erra acertando, pois tampouco o posicionamento do líder brasileiro nas questões climáticas foi questionado. O problema é que o Brasil tenta aplicar os desígnios do soft power e da neutralidade diante de um mundo que se radicaliza, daí a perda de prestígio. A opção pode ser boa, mas seus efeitos nas relações por enquanto são questionáveis.

O que MR publicou

O documento assinado por Vieira reforça que, na gestão de Lula, o Brasil condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, ao mesmo tempo em que apontou a necessidade de abrir caminhos para uma resolução diplomática do conflito, ainda em 2023. Este talvez seja o ponto mais certeiro, afinal até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala em negociações – ainda que na sua forma heterodoxa e midiática de tentar fazer diplomacia.

A postura de Lula é criticada por tornar o país em aparência mais hostil ao Ocidente e pela falta de aproximação com os Estados Unidos desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, em janeiro deste ano. Também é destacada a queda de aprovação interna do atual mandatário, pontos que não estão conectados. Assim como a vocação democrática do Brasil.

Na carta, o chanceler cita ainda a posição do Brasil quanto aos ataques ao Irã e, sobretudo, às instalações nucleares é coerente com esses princípios. “Sob a liderança de Lula, o Brasil tornou-se um raro exemplo de solidez institucional e de defesa da democracia. Mostrou-se um parceiro confiável que respeita as regras multilaterais de comércio e oferece segurança a investidores. Como um país que não tem inimigos, o Brasil é também um coerente defensor do direito internacional e da resolução de disputas por meio da diplomacia. Não fazemos tratamento à la carte do direito internacional nem interpretações elásticas do direito de autodefesa”, reitera Vieira no documento, ponto que parece correto, mas não justifica a excessiva boa vontade de Lula e do PT com o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

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