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Braga Netto e Torres terão acareações no STF com Cid e Freire Gomes

Da redação
17 de junho de 2025
Sessões buscam esclarecer divergências sobre trama golpista; Moraes nega anulação da delação de Cid contra Bolsonaro, apontando tentativa de manobra

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (17) duas acareações envolvendo figuras centrais na investigação sobre a tentativa de golpe de estado após as eleições de 2022. O general da reserva Walter Braga Netto ficará frente a frente com o delator Mauro Cid, enquanto o ex-ministro da Justiça Anderson Torres será confrontado com o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército. As sessões ocorrerão na próxima terça-feira (24), em Brasília.

Braga Netto deixará, pela primeira vez a prisão em seis meses, no Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro. Ele será conduzido ao STF com o uso de tornozeleira eletrônica. A acareação com Cid foi solicitada pela defesa do general, diante de contradições nos relatos sobre uma reunião ocorrida em sua casa, supostamente para tratar de planos golpistas. Em um dos pontos mais sensíveis, Mauro Cid afirmou que recebeu de Braga Netto uma caixa de vinho contendo dinheiro obtido com empresários do agronegócio com destino um grupo extremista conhecido como kids pretos, ligado à suposta trama para prender e até assassinar o ministro Moraes.

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Durante a acareação, será confrontada também a versão de Cid, dada em novembro de 2024, de que o dinheiro teria sido deixado “no batente da mesa”, embora este alegue não se lembrar do local exato da entrega. Braga Netto nega ter entregue qualquer valor ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e afirma que apenas o encaminhou ao tesoureiro do PL, coronel Azevedo.

Na segunda acareação, marcada para as 11h do mesmo dia, Torres será confrontado com Freire Gomes, que é testemunha no caso. A sessão pretende esclarecer divergências em torno do planejamento de ações golpistas nos dias que antecederam os atos de 8 de janeiro.

Além das acareações, Moraes também autorizou a realização de exames periciais solicitados pela defesa de Anderson Torres sobre uma minuta do golpe encontrada em seus arquivos e sobre relatórios da Polícia Federal a respeito das urnas eletrônicas. O ministro ainda permitiu a inclusão de documentos apresentados pelo ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira nos autos do processo.

As defesas de Braga Netto e do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitaram a anulação da delação de Mauro Cid, argumentando que o militar teria mentido e compartilhado informações de seus depoimentos com terceiros. Um dos advogados, Luiz Eduardo Kuntz, chegou a encaminhar fotos e áudios que teria recebido de Cid por meio de um perfil no Instagram com o nome da esposa do delator. Cid, por sua vez, nega ter utilizado a conta.

Moraes rejeitou a anulação da colaboração premiada nesta fase, por entender que se trata de uma tentativa de atrasar o processo. A validade da delação será analisada somente na etapa final, quando o julgamento do ex-presidente e de outros acusados for iniciado.

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