Após investir R$ 3 bilhões em mísseis, grupo dos Emirados negocia soluções para exploração offshore, logística de commodities e engenharia com Petrobras JBS e Vale
O aristocrata e empresário emiradense Faisal Al Bannai, chairman do Edge Group, quer expandir sua base de clientes atraindo gigantes civis que necessitem de tecnologias de alta precisão e segurança. Assim, um dos maiores conglomerados globais de defesa quer em sua carteira de clientes gigantes brasileiros, como Vale e Petrobras. Se trata de um novo passo, após o investimento de cerca de R$ 3 bilhões no Brasil em empresas nacionais donas de projetos militares que estavam na prateleira sem acontecer – é o caso da Siatt, de São José dos Campos (SP).
A estratégia é explicada pelo CFO Rodrigo Torres (na imagem), que busca setores menos engessados por previsões orçamentárias e contingências geopolíticas. A vertical civil é capaz de absorver demandas por drones, sistemas de monitoramento, defesa cibernética, comunicação segura, sensores de alto desempenho, entre outras soluções.
Segundo Torres, as negociações já tiveram início ao passo em que o grupo também articula a aplicação e criação de tecnologias específicas. “Acreditamos que este seja um B2B rentável. Somos uma empresa de tecnologia que está no setor de defesa e buscamos parceiros para propor soluções disruptivas e de alto desempenho nos setores de mineração ou petrolífero”, explica. Ele adianta que uma das soluções seria o transporte inteligente de petróleo entre plataformas.
Outra gigante que está no radar do Edge Group é a JBS, maior empregadora do Brasil, com 150 mil colaboradores diretos e responsável por processar diariamente mais de 75 mil bovinos, 14 milhões de aves e 147 mil suínos. Para eles o grupo quer apresentar engenharia de precisão. “São empresas grandes podem ter acesso a uma tecnologia que resulte no aumento do desempenho e da produtividade, seja através de drones, câmeras e outras soluções de defesa que não passam, necessariamente, por armamento”, disse.
Há também parcerias na área de segurança pública com o estado de São Paulo. O grupo adquiriu no ano passado 51% da Condor Tecnologias Não Letais, uma das principais produtoras mundiais de gás lacrimogêneo, munição de borracha, granadas de fumaça e produtos relacionados. “Estar no Brasil melhora o ambiente de negócios e a relação institucional. Nossa estratégia de aquisições acelera o crescimento das empresas que ja estavam aqui”, afirma o CFO.
O que comprovou que a empresa quer manter vínculos com o Brasil foi a aquisição, em 2023, de 50% da Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico (Siatt), que tinha como principal cliente a Marinha do Brasil (MB). Com a incorporação da Siatt, seus mísseis vão fazer parte do pacote de construção das novas fragatas leves dos Emirados Árabes Unidos – o que ampliará o interesse internacional, já que serão empregados no Golfo Pérsico, um local volátil.
O setor está em franca expansão com os conflitos na Ucrânia, Mar Vermelho e Israel-Irã. O orçamento global de defesa em 2024 foi de US$ 2,46 trilhões, uma alta de 7,4%, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS). O ritmo mais que dobrou desde 2023, quando a expansão foi de 3,5%.
Com os novos negócios fechados, o Edge Group espera que o Brasil represente até 20% do faturamento global. “Acreditamos no potencial do Brasil e nas oportunidades que aqui se encontram. Nossa vocação é a tecnologia e o futuro passa pela autonomia de nossas soluções. Sabemos da demanda tradicional por tanques e munição, mas temos um olhar estratégico para nossos drones, nossos veículos autônomos, além de toda a parte de comunicação”, conclui Torres.
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