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Confiança dos consumidores cai em abril

Da redação
25 de abril de 2023
ICC caiu ao patamar de 86,8 pontos, ante 87 em março. Sondagem registra pessimismo nas famílias de baixa renda

A confiança do consumidor cedeu 0,2 ponto na passagem de março para abril, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira (25). O dado leva o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ao patamar de 86,8 pontos.

No mês de março, o ICC havia subido 2,5 pontos, a 87 pontos. “O índice acomodou em abril em patamar considerado baixo em termos históricos. Assim como no mês anterior, a heterogeneidade dos resultados torna difícil uma sinalização mais clara sobre as perspectivas futuras”, afirmou Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre).

“Há um aumento do pessimismo das famílias com renda mais baixa e redução para as famílias de maior poder aquisitivo. Esse cenário pode estar relacionado ainda a um alto endividamento das famílias, principalmente de menor renda, junto com um aumento das perspectivas de inflação para os próximos meses e dificuldade de acesso ao crédito,” afirmou.

A especialista também afirmou que, embora o novo marco fiscal tenha sido apresentado ao Congresso, ainda há uma boa dose de incerteza sobre a saúde financeira do país, “o que afeta as decisões no curto prazo”.

Em abril, a acomodação da confiança foi influenciada pela estabilidade das avaliações sobre a situação atual e ligeira piora das perspectivas para os próximos meses. O Índice de Situação Atual (ISA) variou 0,1 ponto, para 72,1 pontos, o melhor resultado desde outubro de 2022 (74,5 pontos), enquanto o Índice de Expectativas (IE) cedeu 0,4 ponto, para 97,6 pontos.

A intenção de compras de bens duráveis foi o quesito que mais influenciou na queda do ICC esse mês. O indicador recuou 4,3 pontos, para 80,5 pontos, perdendo 55% dos ganhos obtidos no mês anterior, principalmente nas faixas de renda mais baixas.

O indicador que mede as perspectivas sobre a situação futura da economia recuou 0,4 ponto, para 112,4 pontos. No sentido contrario, o indicador que mede as perspectivas sobre a situação financeira futura da família teve alta de 3,5 pontos para 100,1 pontos, maior resultado desde dezembro de 2022 (105 pontos).

Nas avaliações sobre o momento, a percepção dos consumidores sobre a situação financeira das familias cedeu 0,5 ponto, para 63,6 pontos, voltando ao patamar observado em dezembro de 2022. Em contrapartida, a avaliação sobre a situação econômica atual avançou 0,7 ponto, para 81,1 pontos, maior resultado desde novembro de 2022.

A análise por faixas de renda mostra resultados ainda heterogêneos entre os níveis de renda. O resultado de abril foi influenciado principalmente pela piora da confiança dos consumidores com renda familiar abaixo de R$ 2.100, cujo indicador recuou 7,9 pontos após a alta de 4 pontos em março.

Apenas as famílias de maior poder aquisitivo alcançam o nível de 90 pontos. As faixas com renda familiar entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600 e acima de R$ 9.600,01, apresentaram alta de 1,2 e 2,8 pontos, respectivamente.

O avanço é resultado da melhora nas expectativas para os próximos meses acompanhada de relativa estabilidade na percepção da situação atual.

(FGV)

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