Queda foi de 107,5% ante lucro de R$ 49 milhões
A incorporadora Gafisa reportou no quarto trimestre de 2022 um prejuízo líquido de R$ 3,7 milhões, queda de 107,5% ante lucro de R$ 49 milhões no mesmo período do ano anterior.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (ebitda, na sigla em inglês) foi negativo em R$ 95,2 milhões, recuo de 167% no mesmo intervalo. O ebitda ajustado foi negativo em R$ 13,7 milhões, queda de 107%.
A receita líquida da incorporadora somou R$ 325,8 milhões entre outubro e dezembro de 2022, crescimento de 46,6% ante o final de 2021. Já a margem bruta da Gafisa caiu 9,9 pontos percentuais entre os quartos trimestres, para 2,5%.
No último período de 2022, a empresa lançou R$ 340 milhões em valor geral de venda (VGV), queda anual de 50,3%, e teve vendas contratadas que somaram R$ 350 milhões em VGV, alta de 77,8%.
Edmar Lopes Neto, novo diretor financeiro e de relações com investidores da Gafisa, nomeado no último dia 20, destaca o indicador de receitas a apropriar, que somou R$ 674,7 milhões no trimestre, crescimento de 94% em um ano.
Acumulado de 2022
No acumulado de 2022, a Gafisa reportou prejuízo líquido de R$ 83,2 milhões, queda de 202,4% ante um lucro de R$ 81,2 milhões em 2021.
Segundo material que acompanha o balanço da empresa, isso de deve à redução da margem bruta, que caiu 12 pontos percentuais no período, para 13,5%, e ao maior custo financeiro.
O ebitda foi de R$ 37,4 milhões, queda de 83,8%, enquanto o Ebitda ajustado foi de R$ 231 milhões, recuo de 31,2% sobre 2021.
A receita líquida da empresa somou R$ 1,1 bilhão, crescimento anual de 38,8%.
No ano, a incorporadora lançou R$ 1 bilhão em VGV, recuo de 36,5%, mas obteve vendas contratadas de R$ 971,3 milhões, alta de 67%. A presidente da incorporadora, Sheyla Resende, que assumiu o posto no final de janeiro, ressalta que esse crescimento representa “parte de estratégia para reduzir o estoque e migrar cada vez mais produtos para o alto padrão”.
A Gafisa trabalha para reduzir as unidades ainda não-vendidas, que somaram R$ 2,6 bilhões em 2022, alta de 27,6% sobre o 2021. Desse total, 14% se refere a unidades concluídas.
A companhia também teve queima de caixa de R$ 257,6 milhões no ano, melhora ante a queima de R$ 390,5 milhões de 2021.
Para Luis Fernando Ortiz, vice-presidente de negócios, 2023 será um ano desafiador, mas o fato da incorporadora estar voltada para o alto padrão significa que tem “chance mesmo com mercado mais confuso do ponto de vista econômico”.
Ele afirma que, mesmo com as oito entregas realizadas em 2022, e um aumento de 22% no VGV entregue, a companhia viu queda nos distratos no ano passado, de 8,2% — no quarto trimestre, porém, o VGV distratado subiu 99% ante o mesmo período de 2021. Segundo ele, isso não tem sido um problema para a empresa.
“Momentos como esse reforçam opção de atuar no alto padrão, porque esse segmento do mercado é mais resiliente”, afirma Lopes Neto.
