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Comércio exterior apresenta menor dinamismo nos fluxos

Da redação
21 de março de 2023
Indicador de comércio mostra que volumes exportados caíram em todas as indústrias no primeiro bimestre deste ano 

A balança comercial do primeiro bimestre de 2023 foi de US$ 5,1 bilhões, um aumento no saldo em US$ 500 milhões, em relação a igual período de 2022. No entanto, a variação nos fluxos do comércio indicam uma  desaceleração, em valor, comparado com os resultados entre 2021 e 2022. Entre os dois primeiros bimestres  de 2021 e 2022, o valor exportado cresceu 36,1% e o importado 30,3%. Entre os dois primeiros períodos de 2022 e 2023, o volume exportado aumentou 0,2% e o importado recuou 1,2%. O Indicador de Comércio Exterior (Icomex) foi divulgado nesta terça-feira (21) pela Fundação Getúlio Vargas Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas (FGV IBRE).

Para as exportações, os preços aumentaram 3,1%, mas o volume caiu 2,9%, o que explica a variação quase  nula em valor. Nas importações, a queda no volume em 5,8% foi superior ao aumento de preços em 4,8%, o  que explica o recuo das importações em valor.

As exportações de commodities explicaram 64% do total exportado e registraram queda no volume de 6,5%,  na comparação dos primeiros bimestres de 2022 e 2023. O aumento de preços foi 3,9%. O volume exportado  das não commodities também recuou, mas com um percentual menor, 1,6%, e a variação dos preços desse  grupo (7,6%) superou a das commodities.

Os resultados para os índices das importações mostram um aumento no volume importado de commodities (19,3%), um recuo das não commodites (8,1%) e aumento de preços nos dois grupos. Observa-se, porém, que o aumento nos preços importados das commodities foi superior ao das não commodities.

Destaca-se o grupo de petróleo e derivados, que integra a cesta de commodities exportadas e importadas. O  grupo participou com 14,9% e 13,8% das exportações e importações brasileiras, respectivamente, no  primeiro bimestre de 2023. O saldo do grupo caiu de US$ 2,5 bilhões para US$ 1,2 bilhões, entre o primeiro  bimestre de 2022 e o de 2023.

O volume exportado recuou e os preços das importações aumentaram, o que coincide com os resultados do  agregado total das commodities, na comparação dos primeiros bimestres de 2022 e 2023. No entanto,  enquanto o volume importado de petróleo e derivados caiu, para o agregado das importações de  commodities aumentou. Em adição, o preço exportado do petróleo caiu e do agregado das commodities  aumentou.

A participação do setor agropecuário nas exportações totais foi de 18,5%, no primeiro bimestre de 2023. As  exportações do setor recuaram, em valor, 3,0%, lideradas pela queda no volume de 7,3%, que compensou o  aumento de 9,9% nos preços. Entre os cinco produtos que explicam 94,7% das exportações do  setor, a soja, com participação de 42,2% no setor, registrou uma queda de 22,7%, o que ocorreu também  com os outros principais produtos (café, trigo e algodão). A única exceção é o milho, com aumento de 182%,  na comparação dos primeiros bimestres de 2022 e 2023. 

Nas importações, a participação da agropecuária foi de 2,3%, com aumento de 17%, em valor, liderada pela  variação dos preços, 13,3%, e aumento no volume de 1,1%. Observa-se que o principal produto importado, o  trigo, registrou queda, em valor, na comparação dos primeiros bimestres, mas todos os outros quatro  principais (pescado, cevada, frutas e nozes e cacau) experimentaram aumentos entre 22,1% e 126%. O  cacau é um caso particular, pois não houve importação em 2022. 

A participação da indústria extrativa nas exportações foi de 20,5%, com queda de 14,2%, na comparação  entre os dois primeiros bimestres de 2022 e 2023. Tanto o volume exportado como os preços das  exportações recuaram. O principal produto de exportação, o petróleo bruto, que explica 49% das  vendas da indústria, registrou queda, em valor, de 28,6%. O segundo principal, minério de ferro (42,8% das  exportações), aumentou 2,5%. 

As importações da indústria extrativa recuaram, em valor, 33%, com queda de 30,9% no volume e 2,2% nos  preços. Observa-se que, em valor, aumentaram as importações de petróleo (72,5%), que explicam 60% das  compras dessa indústria. No entanto, as importações de carvão e de gás natural e liquefeito registraram  quedas acima de 30%. 

As exportações da indústria de transformação aumentaram, em valor, 7,0% e representaram 60,4% do total  exportado. As importações aumentaram 3% e a participação nas importações totais foi de 89,2%. O volume  exportado caiu (0,7%) e o das importações recuou 1,7%. Os preços sobem tanto para os produtos  exportados como os importados. 

Entre os 10 principais produtos exportados da indústria de transformação, que explicam 48% do total  exportado por essa indústria, apenas carne bovina e ouro não monetário registraram queda, em valor.  Destacam-se as variações positivas das exportações dos três principais produtos exportados: óleo  combustível (10,8%); farelo de soja (9,7%); e celulose (42,9%). Além disso, as vendas de automóveis, o nono  principal produto exportado, aumentaram em 20,2%. 

Em suma, o preço das commodities aumentou no agregado, liderado pelo resultado da agropecuária e da  indústria de transformação, pois caiu na extrativa. No preço das importações, o mesmo comportamento foi  observado. 

Em termos de volume exportado, a queda foi generalizada em todos os setores. Nas importações, o volume  aumentou para a agropecuária e caiu para as indústrias de transformação e extrativa.  O aumento no volume importado da agropecuária pode ser explicado pelas compras de bens de capital, com  aumento de 53,5%, pois as compras de bens intermediários recuaram tanto na agropecuária como na  indústria.

A Ásia liderou o destino das exportações brasileiras, com participação de 39,2%, no primeiro bimestre de  2023. A participação da China foi de 23,4% e, entre os dois primeiros bimestres de 2022 e 2023, as vendas  brasileiras recuaram em 4,9%. A queda no valor foi liderada pela queda no volume em 4,4%, pois  os preços recuaram apenas em 0,7%. Entre os cinco principais produtos exportados para a China, apenas a  celulose registrou aumento no valor (52,8%). Os três principais produtos, que somam 65% das vendas  brasileiras para a China, registraram quedas: petróleo bruto (10%); soja (28%); e minério de ferro (2,0%). Os  resultados, portanto, ainda não estão mostrando os possíveis efeitos positivos com o fim da política de  lockdown no país. 

Para os Estados Unidos, com participação de 11,7%, o aumento em valor foi de 8,7%, em volume, 8,1% e  nos preços 0,4%. Entre os cinco principais produtos exportados, apenas as vendas de petróleo bruto  recuaram em valor (40,4%). Alguns dos principais produtos registraram elevações acima de 50%, como  celulose (71%), ferro-gusa (53,3%) e instalações e equipamentos de engenharia civil (76%).  Para a Argentina, o volume cresceu 3,9% e em valor, 18,6%. Chama a atenção que entre os cinco principais  produtos exportados, como partes e peças de automóveis e automóveis foram registrados aumentos de  42,6% e 41,4%, respectivamente. Além disso, com a seca que assola na Argentina, a soja ocupou o terceiro  lugar como o produto mais exportado pelo Brasil para a Argentina. 

Para a União Europeia, o aumento em volume foi de 0,4% e foram registradas quedas nas exportações para  ”Demais América do Sul” e “Demais Ásia”.

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