MP deve ser prorrogada ainda no domingo (1º). Haddad defende uma solução alternativa no futuro próximo
O início do mandado de Luiz Inácio Lula da Silva terá pela frente o risco de aumento dos combustíveis, já que a medida provisória (MP) que desonerou as alíquotas do PIS/Pasep e do Cofins perderá a validade neste sábado (31). Para evitar desgastes, o novo governo prepara uma MP para manter a desoneração em termos similares. A MP deve ser publicada já no domingo (1º), dia da posse. Só assim seria evitada qualquer possibilidade de alta de inflação por causa dos preços nas bombas.
A MP que caduca amanhã passou a valer em maio deste ano. 
Com sua extinção, os preços do diesel, gasolina e etanol poderão subir já em 1º de janeiro. Estimativas do setor de infraestrutura apontam que o litro da gasolina poderia sofrer aumento de R$ 0,69, do diesel, R$ 0,33, e do etanol, R$ 0,26.
O próximo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que pediu ao atual governo que não prorrogasse a MP, pois a medida não poderia ser tomada de forma apressada durante a transição de governo. Foi atropelado pela exigências políticas e econômicas.
Na quinta-feira (29), após ser anunciado como novo ministro de Minas e Energia, o senador Alexandre Silveira (PSD-MG), disse que a questão do preço dos combustíveis será avaliada após 1º de janeiro e que nada estaria descartado.
É dado como certo que o novo governo irá procurar soluções próprias depois de resolver esse primeiro desafio – que poderia ter sido evitado, já que o atua ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu prorrogar a MP. Antes, Lula chegou a declarar que a redução de preços dos combustíveis não precisaria passar pelas alterações nos mecanismos do ICMS – solução adotada no pacote criado por Bolsonaro para controlar os preços que afeta as arrecadações estaduais. Porém, ainda não está claro como o governo vai lidar com os impostos federais. O futuro presidente da Petrobras, senador Jean Paul Prates (PT-RN) se mostra contra a paridade internacional, o que desagradaria Haddad.
