Famoso ex-produtor de cinema já havia sido condenado a 23 anos de prisão por abusos sexuais por um tribunal de Nova York
Um tribunal de Los Angeles considerou nesta segunda-feira (19) o ex-produtor de cinema americano Harvey Weinstein culpado de estupro e de duas agressões sexuais, quase metade das acusações pelas quais havia sido processado por quatro mulheres.
Os 12 jurados, oito homens e quatro mulheres, chegaram à conclusão após nove dias de deliberações no segundo julgamento criminal contra o ex-magnata do cinema no contexto das revelações do movimento #MeToo.
A sentença ainda não foi proferida, mas ele pode pegar até 24 anos de prisão. Weinstein, de 70 anos, que produziu sucessos premiados como Pulp Fiction (1994) e o filme mudo O Artista (2011), já tinha sido condenado em Nova York, em 2020, a 23 anos de prisão por casos semelhantes.
Durante o novo julgamento, quatro mulheres que testemunharam sob anonimato acusaram o ex-produtor de tê-las forçado a fazer sexo em hotéis em Beverly Hills e Los Angeles entre 2004 e 2013. Uma quinta testemunha se recusou a depor.
Após um período de audiências, a procuradoria descreveu Weinstein como um “ogre todo-poderoso”, que domina Hollywood – os filmes que produziu receberam mais de 330 nomeações ao Oscar e 81 estatuetas. A fama dele intimidaria as vítimas a falar, por medo de repercussões negativas em suas carreiras.
O júri considerou Weinstein culpado de todas as acusações apresentadas pela primeira das quatro mulheres. Os jurados, no entanto, consideraram-no inocente das acusações de uma segunda mulher e não emitiram um veredicto sobre as acusações de outras duas.
É o caso da documentarista Jennifer Siebel Newsom, esposa do governador da Califórnia, Gavin Newsom. Siebel, no entanto, ficou satisfeita com o veredicto. “Harvey Weinstein nunca será capaz de estuprar outra mulher. Ele passará o resto de sua vida atrás das grades”, disse.
Segundo ela, durante o julgamento, os advogados de Weinstein usaram sexismo, misoginia e bullying “para intimidar, humilhar e ridicularizar” as vítimas. “O julgamento foi um poderoso lembrete de que ainda temos trabalho a fazer como sociedade”, destacou.
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