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Os moderados vão decidir a eleição – mas irão embarcar na tese do voto útil

Ontem, o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que a eleição não será decidida pelo eleitorado radical. “Quem vai decidir essa eleição é o Centro. São os eleitores moderados, são os brasileiros que querem previsibilidade, que vão escolher o que cada uma representa. Com a polarização neste nível no Brasil, os que ficam ao centro, que são os 33%, 34% dos eleitores que vão decidir o que cada um representa”, afirmou Lira.

De fato, são os brasileiros que buscam a moderação que vão decidir quem será o vencedor em outubro. Só que eles não votarão em um candidato moderado – pelo menos não em 2022. Os seguidores de Luiz Inácio Lula da Silva e de Jair Bolsonaro já estão entrincheirados em suas fileiras. Esses candidatos só poderão crescer e buscar a maioria absoluta dos votos válidos através dos eleitores que prefeririam um terceiro nome, mas não têm uma opção viável.

A opção do voto útil, que parece varrer a nação neste ano, não é algo novo. Há exatos quarenta anos, o Brasil escolhia pela primeira vez desde a década de 1960 seus governadores de estado. Em São Paulo, o líder das pesquisas era o então senador André Franco Montoro, pelo PMDB. Seu oponente mais forte era o ex-prefeito de São Paulo, Reynaldo de Barros, que concorria ao Palácio dos Bandeirantes pelo extinto PDS, sucedâneo da Arena. Corriam por fora Lula, Rogê Ferreira, pelo PTB, e Jânio Quadros (PTB).

O PMDB, em um determinado momento, começou a defender a tese do voto útil em Montoro (é bom lembrar que, naquela época, não existiam primeiro e segundo turnos), especialmente depois do crescimento de Jânio nas pesquisas. O ex-presidente terminaria a votação em terceiro lugar, com 13,6 % dos sufrágios, à frente do candidato do PT, com pouco mais de 10 % (Rogê Ferreira não chegou nem a 1 %).

Montoro foi eleito com 49 % dos votos e se consagrou como um dos grandes nomes de seu partido, de onde saiu para fundar o PSDB. Naquela época, era comum ver discussões nos bares entre montoristas e lulistas. O segundo grupo era acusado de dividir os votos de Montoro e ajudar o inimigo maior (Reynaldo, o candidato do governo militar). No final das contas, o desgaste da ditadura em São Paulo era tão grande que os candidatos ao Senado do PDS tiveram votações pífias e o partido elegeu apenas 16 deputados federais, contra 30 do PMDB.

Nesta eleição presidencial de 2022, o Centro foi pulverizado por uma polarização que teve início ainda em 2018. Um a um, os nomes que representavam algum tipo de moderação foram caindo – e a chamada Terceira Via se viu reduzida à senadora Simone Tebet, que tem 1 % das intenções de voto. A única alternativa que se aproxima da viabilidade seria a do ex-governador Ciro Gomes. Mas, para isso, ele teria ainda de crescer substancialmente entre o eleitorado.

O sistema de turnos, criado para que os eleitores escolhessem seu candidato de coração na primeira etapa, vai produzir este ano algo inédito: o voto útil já no primeiro turno. É o principal efeito do antagonismo político exagerado, que vai gerar turbulência e muita gritaria nos próximos meses.

Apertem os cintos. Vai ser uma estrada esburacada e cheia de curvas.

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