Em meio à crise política que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi recebido nesta terça-feira (26) pelo presidente americano Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. O encontro, articulado por Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e interlocutores ligados ao secretário de Estado Marco Rubio, é visto como uma tentativa de recuperar fôlego político para a pré-campanha presidencial de Flávio.
Na reunião, Flávio usou uma gravata verde e amarela e discutiu temas como segurança pública, combate ao crime organizado e investimentos estratégicos. Segundo o jornal O Globo, mencionando aliados do senador, Trump demonstrou interesse em classificar facções brasileiras como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, proposta que recebeu apoio do senador. A comitiva brasileira incluiu deputados estaduais e vereadores, que acompanharam o encontro de fora da Casa Branca.
Nos bastidores, a foto de Flávio ao lado de Trump é tratada como peça central da estratégia para conter o desgaste provocado pelas revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, ligado ao entorno de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Documentos divulgados pelo Intercept Brasil apontam que Flávio teria solicitado recursos a Vorcaro, com repasses que somariam R$ 61 milhões.
A campanha avalia que a imagem com Trump reforça a associação internacional de Flávio ao trumpismo, num momento em que crescem pressões internas na direita e surgem alternativas como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Além da reunião com Trump, o senador também manteve conversas com interlocutores republicanos e assessores do Departamento de Estado sobre segurança, minerais críticos e tarifas comerciais. Flávio permanece em Washington até quarta-feira e retorna ao Brasil na quinta, com agenda prevista em Curitiba na sexta.
