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O vai e vem de Bolsonaro na transição de governo

Desde que foi eleito presidente, Jair Bolsonaro (PSL) vem acumulando uma série de recuos na formação de seu futuro governo. Durante a campanha, prometeu que diminuiria o número de ministérios dos atuais 29 para 15. Nesta semana, admitiu que poderá ter até 18 pastas. Ainda sobre os ministérios, disse que o da Agricultura seria anexado ao do Meio Ambiente — desistiu após forte pressão dos ambientalistas. Sobre a reforma da Previdência, nova bateção de cabeças entre ele e a equipe econômica a respeito de temas como apoio à aprovação em 2018, elevação de alíquotas e abrangência da reforma.

O vai e vem de Bolsonaro, fora os atritos com integrantes da sua equipe de transição, indica certo desconhecimento do funcionamento do Poder Executivo. Essa é opinião do cientista político e professor da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), Marcos Costa Lima. “Bolsonaro era uma incógnita ainda durante a campanha. Mas, pelos seus movimentos, conseguimos perceber que ele ainda não entendeu direito como funciona a presidência da República”, diz Lima. “Seus recuos são uma prova disso. Uma hora diz uma coisa, outra hora diz outra.”

Segundo o professor da UFPE, tanto o presidente eleito quanto Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, tentam mostrar a força e a rigidez vendidas na campanha, mas não fazem ideia de como se darão as negociações para governabilidade daqui pra frente. “Entendo que eles sondam o terreno (da política) para ver se ainda têm a mesma força da campanha, mas ambos não têm dimensão de quanto isso soa contraditório para nós que estamos de fora”, diz Lima.

Apesar das controvérsias em Bolsonaro, para o cientista político da UFPE ainda não é o momento de julgar definitivamente o presidente eleito por suas ações. “Vamos aguardar o início de sua gestão. Dois ou três meses de governo Bolsonaro já serão suficientes para termos uma ideia melhor de como será”. Na opinião dele, a transição está dentro do esperado. “Aos poucos, vai formando o ministério e dando indícios de que, no geral, pelo menos no começo, seu governo será conservador e com poucos políticos nos cargos de primeiro escalão”.

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