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O vai e vem de Bolsonaro na transição de governo

Da redação
11 de novembro de 2018

Desde que foi eleito presidente, Jair Bolsonaro (PSL) vem acumulando uma série de recuos na formação de seu futuro governo. Durante a campanha, prometeu que diminuiria o número de ministérios dos atuais 29 para 15. Nesta semana, admitiu que poderá ter até 18 pastas. Ainda sobre os ministérios, disse que o da Agricultura seria anexado ao do Meio Ambiente — desistiu após forte pressão dos ambientalistas. Sobre a reforma da Previdência, nova bateção de cabeças entre ele e a equipe econômica a respeito de temas como apoio à aprovação em 2018, elevação de alíquotas e abrangência da reforma.

O vai e vem de Bolsonaro, fora os atritos com integrantes da sua equipe de transição, indica certo desconhecimento do funcionamento do Poder Executivo. Essa é opinião do cientista político e professor da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), Marcos Costa Lima. “Bolsonaro era uma incógnita ainda durante a campanha. Mas, pelos seus movimentos, conseguimos perceber que ele ainda não entendeu direito como funciona a presidência da República”, diz Lima. “Seus recuos são uma prova disso. Uma hora diz uma coisa, outra hora diz outra.”

Segundo o professor da UFPE, tanto o presidente eleito quanto Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, tentam mostrar a força e a rigidez vendidas na campanha, mas não fazem ideia de como se darão as negociações para governabilidade daqui pra frente. “Entendo que eles sondam o terreno (da política) para ver se ainda têm a mesma força da campanha, mas ambos não têm dimensão de quanto isso soa contraditório para nós que estamos de fora”, diz Lima.

Apesar das controvérsias em Bolsonaro, para o cientista político da UFPE ainda não é o momento de julgar definitivamente o presidente eleito por suas ações. “Vamos aguardar o início de sua gestão. Dois ou três meses de governo Bolsonaro já serão suficientes para termos uma ideia melhor de como será”. Na opinião dele, a transição está dentro do esperado. “Aos poucos, vai formando o ministério e dando indícios de que, no geral, pelo menos no começo, seu governo será conservador e com poucos políticos nos cargos de primeiro escalão”.

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