As pesquisas recentes vão mostrando que as chances de um nome de Terceira Via são remotas. O ex-juiz Sergio Moro não consegue crescer nas enquetes de intenção de voto, assim como o ex-ministro Ciro Gomes e o governador João Doria. Se tudo continuar assim, teremos novamente uma campanha polarizada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse, inclusive, é o desejo desses dois candidatos. Um vê o outro como o rival ideal.
Lula acredita que Bolsonaro é seu melhor adversário para o segundo turno. O petista vê que a economia em estado letárgico, aliada à impopularidade alta do presidente, deve ser um fator decisivo para receber votos dos insatisfeitos. Além disso, as constantes demonstrações de apreço do titular do Planalto pelo discurso politicamente incorreto são vistas pelo PT como algo que desagrada o eleitorado feminino (hoje, cerca de 52 % dos votos totais). Lula aposta que chegará na última etapa das eleições com uma taxa de rejeição menor que a do rival e que isso será crucial para obter a vitória.
Ocorre que Bolsonaro também considera Lula seu melhor opositor. O ex-presidente foi alvo de pesadas acusações de corrupção e acabou preso durante 580 dias, para ter seus processos anulados pelo Supremo Tribunal Federal. O presidente vai explorar essa questão fortemente durante a campanha e prepara o terreno para reavivar essas acusações – e também explorar uma agenda de costumes, exaltando seu conservadorismo e mostrando a diferença entre suas crenças e as do concorrente.
Talvez, nesse ponto, os dois candidatos estejam subestimando simultaneamente seus oponentes. Lula acredita que vai ampliar sua liderança nas pesquisas. Já Bolsonaro tem confiança em seu crescimento, calcado em um pacote de bondades que vai injetar mais de R$ 150 bilhões na economia.
Diante disso, quem estará certo em suas projeções? Ainda não se sabe. Mas um dos dois, ao final do processo, terá subestimado a capacidade de articulação política e a popularidade de seu antagonista.
Ambos demostram um certo desprezo em relação aos oponentes. Bolsonaro já chamou Lula de “jumento”. Lula, por sua vez, disse que os eleitores estão cansados das “mentiras” proferidas pelo presidente.
Até agora, nessa pré-campanha, Lula demonstrou mais jogo de cintura que Bolsonaro. Ele sabia que teria dificuldades em ser aceito pelo empresariado e pelas classes altas – e para amenizar essa rejeição, trouxe o ex-governador Geraldo Alckmin para compor sua chapa, na condição de vice-presidente. Já Bolsonaro vai na direção oposta: acredita que os eleitores precisam se adaptar a ele e escolheu um vice que não agrega muito aos apoios já existentes. Estamos falando do general Braga Netto, que reforça o aspecto conservador do cabeça de chapa.
A rivalidade entre Lula e Bolsonaro vai moldar essa campanha – e boa parte dos indicadores econômicos irá responder ao que os dois falarão durante o período pré-eleições. Não se pode esquecer outro aspecto deste antagonismo: a militância dos dois lados. As redes vão ferver com velhas e novas acusações, sem falar das Fake News de praxe.
Muitos vão detestar esse clima de provocação e de conflito. Mas, no fundo, são as rivalidades que movem o mundo na política, economia e nas artes. É como Winston Churchill disse: “Retire as rivalidades do homem e das nações e você destruirá tudo o que cria melhorias e progresso na Terra”.
