O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, após a decisão que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, criado pelo deputado André Janones para divulgar conteúdos da campanha petista. Lula afirmou que o magistrado precisa demonstrar qual seria a ilegalidade da iniciativa e defendeu que a presidência da Corte Eleitoral atue de forma imparcial, sem favorecer qualquer grupo político.
A suspensão do canal foi determinada por Kassio após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), mas a medida acabou revertida pelo corregedor-geral eleitoral do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, que autorizou a retomada das atividades até que o plenário do tribunal analise o caso. Lula informou que a equipe jurídica da campanha acompanhará o assunto e sinalizou que pretende ampliar sua estratégia de mobilização digital.
Nos bastidores, segundo informações da Folha de S. Paulo, o PT avalia a possibilidade de apresentar um pedido de suspeição contra Kassio Nunes Marques. Integrantes do partido alegam que o ministro teria adotado decisões que indicariam favorecimento à candidatura de Flávio Bolsonaro, tese que ganhou força após a controvérsia envolvendo o canal de Janones. Há, porém, divergências internas sobre a conveniência da medida, já que parte da campanha avalia que a iniciativa poderia ampliar o desgaste entre o magistrado e o grupo político de Lula.
O episódio ocorre em um momento de forte tensão entre as campanhas. Ministros do TSE e especialistas em direito eleitoral ouvidos pela Folha questionaram, nos bastidores, algumas decisões recentes do presidente da Corte. Kassio, por sua vez, nega qualquer favorecimento e afirma que suas decisões seguem critérios jurídicos e a jurisprudência do tribunal.
As declarações de Lula ocorreram após uma missa realizada no Palácio da Alvorada em celebração ao Dia de Nossa Senhora Aparecida. Durante o evento, o presidente também retomou temas de campanha, como propostas relacionadas à segurança pública e ao mercado de trabalho, além de abordar a disseminação de notícias falsas sobre a padroeira do Brasil. Enquanto Lula permaneceu em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin representou o governo nas celebrações realizadas em Aparecida (SP).
