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Lituânia bloqueia tráfego de mercadorias para Kaliningrado

Da redação
20 de junho de 2022
Rússia diz que bloqueio ao seu exclave báltico é uma violação e promete reagir

A Lituânia bloqueou o trânsito de mercadorias para o exclave russo de Kaliningrado. O transporte de carvão, metais e materiais de construção para o território, que tem o status de república (oblast) fica agora comprometido. As autoridades lituanas defendem a aplicação da medida por esta estar em consonância com as sanções aplicadas pela Comissão Europeia contra a Rússia.

A situação foi denunciada por Anton Alikhanov, governador de Kaliningrado, na sua conta pessoal do Telegram na passada sexta-feira (17). O responsável indicou que o bloqueio parcial obrigará a uma diminuição de 40 a 50% de transporte de mercadorias que a região importa do restante território da Rússia.

Nesta segunda-feira (20), a Rússia reagiu oficialmente à medida. O ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu um comunicado, citado pela AFP, a condenar aquilo que diz ser um ação “provocativa” e “abertamente hostil”. “Se num futuro próximo o trânsito de mercadorias entre a região de Kaliningrado e o resto do território na Federação Russa não for reposto totalmente, então a Rússia tem o direito de agir e proteger os seus interesses nacionais”, lê-se no comunicado.

Por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descreveu a decisão das autoridades lituanas como sendo “sem precedentes” e “uma violação” das normas internacionais. “A situação é muito séria e requer uma análise antes de se tomar quaisquer medidas e decisões”, avisou.

Em resposta a estas críticas, o ministro dos Negócios Estrangeiros lituano, Gabrielius Landsbergis, salientou, citado pelo canal estatal lituano LRT, que “a Lituânia não está a fazer nada”, mas esta medida é efeito das “sanções europeias que entraram a vigor a 17 de junho”. “A indústria que está impor as sanções é a das ferrovias. Eles informaram os seus clientes que os bens sancionados não podiam atravessar o território lituano”, explicou. Caminhões russos e bielorrussos (imagem de dstaque) ainda podiam cruzar a fronteira, mas a permissão também pode ser revogada. Desde o início da invasão da Ucrânia, a Polônia e os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) dificultam a circulação de trens e caminhões de ambos os países.

A Ucrânia já veio expressar o seu apoio à decisão lituana. Na sua conta pessoal do Twitter, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dymtro Kuleba, defendeu que a Rússia “não tem o direito de ameaçar a Lituânia”. “Moscovo deve culpar-se apenas a si pelas consequências da sua invasão injustificada da Ucrânia”, afirmou.

O que é Kaliningrado?

Espremida entre a Polônia e a Lituânia, membros da UE e da OTAN, Kaliningrado tem como principal centro a cidade portuária de mesmo nome. Um importante porto comercial do Mar Báltico por centenas de anos, teve forte influência germânica e polonesa, fazndo parte da União Soviética e da Rússia desde o final da Segunda Guerra Mundial. Hoje abriga quase meio milhão de habitantes.

Embora Kaliningrado faça parte da Rússia, não tem fronteiras terrestres ou marítimas com o resto do país, recebendo seus suprimentos por meio de ferrovias e gasodutos que cortam a Lituânia, uma ex-república soviética independente desde 1990. O exclave é estrategicamente importante para a presença militar da Rússia no Mar Báltico. Junto com São Petersburgo, sedia a Frota do Mar Báltico (no mapa).

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