Auxiliar do governo americano teria alegado viagem para discutir terras raras, mas pretendia se reunir com Bolsonaro e Flávio Bolsonaro
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil decidiu revogar o visto concedido a Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tinha viagem prevista ao Brasil na próxima semana.
Segundo informações do governo, a decisão foi tomada diretamente pelo Itamaraty após avaliação das condições da solicitação de entrada no país.
De acordo com fontes da diplomacia brasileira, Beattie teria justificado a viagem com um argumento considerado falso, afirmando que viria ao Brasil para discutir temas relacionados a terras raras. Na prática, porém, a intenção seria se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com o senador Flávio Bolsonaro.
Durante a visita, o assessor também pretendia tentar encontrar Bolsonaro na chamada “Papudinha”, unidade onde o ex-presidente está detido em Brasília. O pedido para a visita, no entanto, já havia sido negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável por autorizar esse tipo de solicitação.
O governo brasileiro afirmou que a revogação do visto segue o princípio de reciprocidade diplomática, adotado internacionalmente, inclusive pelos Estados Unidos.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a entrada do assessor americano no país só poderá ser considerada novamente se houver avanço na situação envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e outros representantes do governo brasileiro.
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de Padilha. O visto do ministro não foi revogado porque já estava vencido.
Segundo interlocutores do governo, a autorização para entrada de Beattie poderia ser reavaliada caso os Estados Unidos mantenham ou regularizem os vistos de autoridades brasileiras, incluindo o do ministro da Saúde.
Ainda assim, a legislação prevê que o assessor americano pode apresentar um novo pedido de visto, que será analisado novamente pelas autoridades brasileiras.
