A Hewlett-Packard (HP) ganhou seu processo de fraude civil de seis anos contra o magnata da tecnologia Mike Lynch (imagem). Um juiz do tribunal superior decidiu que ele enganou a empresa americana para pagar £ 8,2 bilhões (R$ 59,11 bi) por sua empresa de software Autonomy.
Lynch, que estava nesta sexta-feira (28) esperando para descobrir se poderia ser extraditado para os EUA para enfrentar um julgamento criminal separado, foi acusado de fraudar a HP ao manipular as contas da Autonomy para inflar o valor da empresa. Ele negou a acusação e informou que irá recorrer. “Os reclamantes tiveram sucesso substancial em suas reivindicações neste processo”, comunicou o juiz Hildyard, após um julgamento de 93 dias durante o qual 28 mil documentos foram considerados como provas.
Hildyard informou que os danos provavelmente serão significativamente menores do que os US$ 5 bilhões (R$ 26,94 bi) reivindicados pela HP e empresas sucessoras, enquanto também questionou a confiabilidade de algumas das testemunhas da empresa americana. Mesmo assim, o magistrado decidiu que a HP havia sido induzida a pagar a mais pela aquisição. A fraude foi perpetrada por Lynch e pelo ex-diretor financeiro da Autonomy, Sushovan Hussain, que está preso nos EUA após ser considerado culpado de fraude relacionada ao mesmo negócio.
A empresa norte-americana comprou a Autonomy por US$ 11 bilhões (R$ 59,27 bi) em 2011, visando seu software que ajuda empresas a armazenar e pesquisar “dados não estruturados”, como correios de voz e e-mails. Lynch ganhou £ 500 milhões com a venda e foi aclamado como um dos poucos campeões globais de tecnologia da Grã-Bretanha.
Em um ano, a HP havia baixado seu próprio valor em US$ 9 bilhões (£ 6,7 bilhões), culpando “graves impropriedades contábeis” relacionadas ao negócio. Lynch e sua equipe, alegou a HP, aumentaram falsamente a atratividade da empresa por meio de truques contábeis.
Em um longo resumo de suas conclusões, o juiz Hildyard descobriu que Lynch e Hussain foram “desonestos”, empregando várias estratégias. Isso incluiu vendas de hardware para “disfarçar” déficits na receita do software, ocultar custos e entrar em acordos com empresas “amigáveis” para antecipar receitas de vendas, algumas das quais nunca se materializaram.
