Colaboração tem potencial de detalhar como o banco foi usado para validar operações fraudulentas no caso Master
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, prepara-se para negociar uma delação premiada. Segundo informações publicadas pela coluna de Malu Gaspar, em O Globo, Costa pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua transferência da Papuda para a sede da Polícia Federal em Brasília, alegando que só assim poderá discutir os termos da colaboração.
Costa dispensou seu antigo advogado e contratou os criminalistas Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, e Davi Tangerino, especialistas em delações. A estratégia repete o movimento do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, que também trocou de defesa e conseguiu transferência para a PF ao sinalizar disposição de colaborar.
A defesa de Costa argumenta que a permanência na Papuda é inviável, especialmente porque a penitenciária é administrada pelo governo do Distrito Federal. Isso ganha relevância diante da expectativa de que o ex-governador Ibaneis Rocha seja citado na delação. Ibaneis, que deixou o cargo em março para disputar vaga no Senado, sempre defendeu publicamente a compra do Master pelo BRB, operação que envolveu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas.
A Polícia Federal acusa Costa de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, apontando que ele teria recebido seis imóveis de luxo como propina, avaliados em R$ 146 milhões. Parte dos pagamentos, cerca de R$ 74,6 milhões, foi efetivamente realizada antes de Vorcaro descobrir a investigação sigilosa do Ministério Público Federal.
Fontes próximas ao caso afirmam que Costa tem pressa em fechar acordo, já que Vorcaro também negocia delação e pode se antecipar. As colaborações de ambos têm potencial de detalhar como o BRB foi usado para validar operações fraudulentas e ampliar o alcance do escândalo no setor financeiro.
