Relaxamento temporário é uma necessidade geopolítica frente ao embargo do gás russo
Tudo é uma questão de priorizar os aliados e os adversários da vez. Após dois anos de estritos embargos, o governo americano permitiu que, a partir de julho, as companhias petrolíferas Repsol, espanhola, e Eni, italiana, passem a exportar para a Europa óleo cru e gás extraídos na Venezuela. De acordo com o governo venezuelano, a americana Chevron também poderá operar.
Com as empresas livres de sanções, o governo autoritário de Nicolás Maduro verá algum dinheiro entrar para irrigar sua combalida economia. Ele celebrou a decisão em transmissão por redes sociais (embaixo)Não se trata de bondade americana ou indício de uma guinada mais democrática e liberal por parte de Caracas. Os europeus precisam urgentemente de petróleo e gás para mover suas economias, alimentadas até há pouco pelo gás russo – o que deveria ser uma forma de conter os arroubos do governo Putin com euros, o que deu errado com a invasão da Ucrânia.
Com o risco de elevação dos preços e os países produtores hesitando em aumentar a extração, o realpolitik falou mais alto. País com as maiores reservas confirmadas do mundo, é de lá que virá algum alívio à União Europeia (UE). Curiosamente, desde o governo Chávez a Rússia é a maior aliada e parceira da Venezuela, auxiliando a estatal petrolífera PDVSA a atuar com um mínimo de capacidade diante dos embargos que afastaram os importadores internacionais. Por meios indiretos, agora é a Rússia quem abre o bloqueio dos venezuelanos.
Todavia, o volume de petróleo que Eni e Repsol deverão tirar da Venezuela não seria alto o suficiente para impactar nos preços mundiais, o que prejudicaria a lucratividade de companhias americanas. Apenas uma garantia de consumo foi garantida por Washington à UE. O governo americano teria informado às petrolíferas de sua decisão ainda em abril. A decisão é temporária, mas sua vigência não foi informada.
🇻🇪📺 Presidente @NicolasMaduro: "Estados Unidos hace una semana dio unos pasos leves, pero significativos al entregar licencias a Chevron, Eni y Repsol para iniciar procesos que lleven a producir gas y petróleo en Venezuela para exportar a sus mercados naturales".#EnVideo pic.twitter.com/On3HnGhiZp
— Petróleos de Venezuela, S.A. (@PDVSA) June 5, 2022
