Pacote americano para assegurar minerais produzidos em Goiás chega a US$ 1,55 bilhão e coloca reservas brasileiras no centro da disputa global para reduzir dependência da China
Os Estados Unidos anunciaram um investimento de US$ 750 milhões para assegurar o fornecimento de terras raras extraídas no Brasil, reforçando a posição do país na disputa global por minerais considerados essenciais para as indústrias de defesa, energia e tecnologia. Os recursos serão utilizados para apoiar um contrato de compra da produção do projeto Pela Ema, da Serra Verde, em Minaçu (GO), segundo comunicado divulgado pelo Departamento de Guerra dos EUA.
O aporte faz parte de uma estrutura de financiamento de US$ 1,55 bilhão mobilizada pelo governo americano. Além dos US$ 750 milhões, o pacote inclui um compromisso de compra de US$ 300 milhões pela Defense Logistics Agency e outros US$ 500 milhões provenientes de um grande banco. A operação se soma ainda a um financiamento anterior de US$ 565 milhões concedido pela U.S. International Development Finance Corporation para ampliar e otimizar o projeto brasileiro.
O movimento coloca o Brasil em posição estratégica na tentativa dos Estados Unidos de reduzir a dependência da China. Segundo o US Geological Survey (USGS), o país possui 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, a segunda maior quantidade do mundo, atrás apenas das 44 milhões de toneladas chinesas. O potencial mineral, no entanto, ainda contrasta com a produção: em 2025, o Brasil produziu cerca de 2 mil toneladas, ante 270 mil toneladas da China.
A Serra Verde é a única operação brasileira de terras raras em produção comercial, iniciada em 2024. O projeto goiano produz elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alta potência. Esses componentes estão presentes em veículos elétricos e turbinas eólicas, mas também em equipamentos militares como caças, submarinos, satélites, mísseis guiados e drones. A capacidade da operação deverá subir para aproximadamente 6,5 mil toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027.
O avanço americano sobre a produção brasileira ocorre justamente quando o país discute como transformar suas reservas minerais em uma cadeia industrial de maior valor agregado. Embora tenha uma das maiores reservas do planeta, o Brasil ainda precisa desenvolver em escala comercial etapas como separação e refino dos elementos, produção de metais e ligas e fabricação de ímãs permanentes. Hoje, grande parte dessas fases está concentrada na Ásia. O Ministério de Minas e Energia defende uma estratégia para atrair investimentos sem limitar o país ao papel de exportador de matéria-prima.
Para Washington, a produção brasileira é parte de uma estratégia mais ampla de construção de uma cadeia de terras raras independente da China. O governo americano afirma que o acordo com a Serra Verde dará acesso de longo prazo a minerais considerados críticos para sua base industrial e militar. A mineradora brasileira também está em processo de aquisição pela americana USA Rare Earth, em uma transação anunciada em abril e avaliada em US$ 2,8 bilhões, ampliando ainda mais a presença dos Estados Unidos no setor brasileiro.
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