A Polícia Federal rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e comunicou oficialmente ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Segundo informações do jornal O Globo, os investigadores concluíram que o banqueiro não trouxe fatos novos nem provas capazes de sustentar um acordo, reforçando a percepção de que sua estratégia é ganhar tempo fora de um presídio comum. Em ofício, a PF pediu ainda que Vorcaro deixe a cela especial na Superintendência da corporação em Brasília, onde está desde maio, após ser transferido da penitenciária federal.
A Procuradoria-Geral da República, que também negocia com a defesa, ainda não deu resposta formal. Enquanto isso, os investigadores afirmam ter elementos consistentes para prosseguir com a apuração sem depender dos relatos de Vorcaro, já que têm acesso a oito celulares apreendidos com documentos e mensagens. Para eles, o banqueiro não tem condições de corroborar suas declarações, pois perdeu o controle do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. A avaliação predominante é de que Vorcaro buscou justificar relações políticas e favores, sem admitir crimes ou abrir novas frentes de investigação.
O executivo é suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras que teria causado um rombo de cerca de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, atingindo correntistas e fundos de previdência estaduais e municipais, como o Rioprevidência. A investigação também alcança outros estados, como Amazonas e Amapá, e envolve figuras políticas, incluindo o ex-governador do Rio, Cláudio Castro. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai, e voltou a ser detido em março. Desde então, já houve duas tentativas frustradas de delação, que provocaram mudanças em sua equipe de defesa.
Paralelamente, a PF planeja incluir Vorcaro na lista de difusão prateada da Interpol para rastrear e bloquear movimentações financeiras no exterior. A medida pode alcançar os R$ 61 milhões enviados por ele a um fundo americano sob o pretexto de financiar o filme “Dark horse”, sobre a campanha de Jair Bolsonaro em 2018. A expectativa dos investigadores era que Vorcaro revelasse detalhes sobre recursos e bens fora do país, mas isso não ocorreu. Caso o acordo não avance, a PF e a PGR ficam impedidas de usar os anexos já entregues, e o ministro André Mendonça já sinalizou que não homologará a colaboração sem fatos novos.
