A corrida presidencial de 2026 no Brasil está marcada por uma volatilidade inédita
A nova pesquisa Meio/Ideia de abril mostra que mais da metade do eleitorado (51,4%) ainda pode mudar de candidato até outubro, um salto em relação aos 35,5% registrados em janeiro.
Essa instabilidade é mais evidente entre eleitores da direita, especialmente os que hoje apoiam Flávio Bolsonaro (60,4%) e Ronaldo Caiado (69,4%), enquanto a base de Luiz Inácio Lula da Silva se mostra mais consolidada (26,6%).
Lula lidera nas intenções de voto no primeiro turno (40,4% x 37%), mas em um eventual segundo turno contra o candidato de Bolsonaro o cenário é de empate técnico, com vantagem numérica do senador (45,8% x 45,5%).
O fator econômico aparece como o grande definidor da corrida. Apesar de indicadores como o PIB, o que pesa para o eleitor é a fatura do cartão e a percepção de que a renda não cobre o mês.
O Brasil chega ao ciclo eleitoral com quase 80% das famílias endividadas e 29% da renda comprometida com pagamentos mensais, em grande parte no crédito rotativo e no cartão de crédito, onde os juros elevados tornam o peso cada vez maior.
A sondagem mostra que 44% dos brasileiros se sentem mais endividados do que há um ano e mais de 60% percebem aumento do custo de vida. Para cerca de 40% dos eleitores, esses fatores serão decisivos na hora de escolher o próximo presidente, superando temas como saúde, segurança e corrupção.
Esse impacto é ainda mais relevante entre os eleitores que votaram em Lula em 2022, mas hoje questionam a continuidade do governo. Nesse grupo, dois terços apontam o aumento do custo de vida como fator central para decidir o voto.
“A reeleição de Lula em 2026 não será decidida na variação dos boletins do PIB. Será decidida nas mesas de cozinha, nas faturas acumuladas e na percepção de que a renda não chega ao final do mês. Essa percepção, hoje, é amplamente negativa”, escrevem Cila Schulman e Mauricio Moura Cila Schulman e Mauricio Moura, respectivamente CEO e fundador do IDEIA.
