Banco projeta 51 cadeiras democratas no Senado e avalia que avanço da oposição ampliaria negociação sobre cortes no Medicaid
Os democratas chegam às eleições legislativas americanas com cenário favorável para conquistar a Câmara dos Representantes e uma vantagem mais frágil no Senado, segundo relatório do BTG Pactual assinado por Luiza Paparounis e Francisco Lopes. Uma mudança no controle do Congresso ampliaria a capacidade de pressionar o governo Donald Trump sobre gastos públicos, mas não permitiria desfazer automaticamente cortes já aprovados.
Para a Câmara, o documento cita uma projeção do The Economist de 239 cadeiras democratas e 196 republicanas, com 96% de probabilidade de maioria democrata. Separadamente, o mercado de apostas Polymarket atribui 92% de chance de controle da Casa pelo partido. São projeções e probabilidades, não resultados das urnas.
No Senado, o cenário-base do BTG prevê 51 cadeiras democratas e 49 republicanas, com 65% de probabilidade de maioria democrata. O banco ressalta que pequenas diferenças nas disputas mais concorridas podem alterar o controle da Casa. A média recente de aprovação de Trump apresentada no relatório é de 36,7%, ante 60,5% de desaprovação.
Na agenda econômica, o Medicaid, programa de saúde para pessoas de baixa renda, aparece como foco de negociação. Segundo estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) citada pelo BTG, o capítulo da lei dedicado ao programa prevê redução líquida do déficit de US$ 886,8 bilhões entre 2025 e 2034, em comparação ao cenário sem a legislação.
O banco considera mais plausível negociar ajustes pontuais, como adiamentos de exigências e mudanças no financiamento. Em uma simulação ilustrativa, reverter 10% da economia prevista para 2027 a 2034 elevaria o déficit em cerca de US$ 87 bilhões, sem compensações e sem juros. Uma reversão ampla dependeria de acordo com Trump ou de apoio suficiente para superar um veto presidencial.
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