Ex-presidente foi preso preventivamente após violação de tornozeleira e convocação de vigília
Preso preventivamente na manhã deste sábado (22), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi levado para uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O espaço, já preparado desde maio, segue o modelo das acomodações usadas por outras autoridades, como Lula em Curitiba entre 2018 e 2019, e inclui cama, mesa de trabalho, armário, frigobar, ar-condicionado e banheiro privativo.
Segundo apuração, a sala não foi construída especificamente para Bolsonaro, mas para eventuais detenções de autoridades com prerrogativa especial de recolhimento, como já ocorreu também com Fernando Collor e Michel Temer.
EX-PRESIDENTE PRESO | Vídeo mostra as instalações da cela de Jair Bolsonaro. O local passou por uma reforma recente, após a possibilidade de Bolsonaro ser preso preventivamente por descumprir ordens do Supremo.
— Jornal O Globo (@JornalOGlobo) November 22, 2025
A sala tem 12 metros quadrados e passou a contar com banheiro… pic.twitter.com/Dcv0q1Va8Q
Horas antes da prisão, a defesa havia pedido que Bolsonaro ficasse em casa mesmo após a execução da pena. Os advogados argumentaram que o ex-presidente possui quadro clínico grave e que o sistema prisional não teria infraestrutura adequada para o tratamento.
Moraes rejeitou o argumento, mas determinou que Bolsonaro receba atendimento médico “em plantão permanente” na sede da PF e autorizou que sua equipe de saúde tenha acesso ao local sem necessidade de autorização prévia.
O que MR publicou
A prisão ocorreu após o sistema registrar, à 0h08 deste sábado, uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente. Para o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o episódio indica intenção de fuga, agravada pela vigília convocada por Flávio Bolsonaro na porta do condomínio, o que poderia tumultuar a fiscalização das medidas cautelares.
Bolsonaro foi detido por volta das 6h e conduzido diretamente à PF, onde passou por exame de corpo de delito. Ele ficará em custódia individual, sem contato com outros detentos. Caso permaneça no local, a defesa poderá solicitar autorização para levar livros e itens pessoais.
Na decisão que embasou a prisão preventiva, Moraes citou ainda padrões de fuga de aliados próximos — como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro — para reforçar o risco de evasão. A PF já havia pedido a conversão da prisão domiciliar em custódia imediata diante da reta final do processo que condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por liderar tentativa de golpe.
A defesa tentou, horas antes, pedir que Bolsonaro cumprisse a pena em casa por razões médicas. Moraes rejeitou, mas determinou atendimento de saúde permanente na sede da PF.
