Ao novo governo de coalizão da Alemanha quer atrair 400 mil profissionais do exterior a cada ano para combater o desequilíbrio demográfico e a escassez de mão de obra em setores que correm o risco de ter sua recuperação prejudicada no pós-pandemia. O problema vai se gravar até 2030, quando o déficit de trabalhadores de todos os níveis chegar perto de 5 milhões. “A escassez de trabalhadores qualificados tornou-se tão séria agora que está desacelerando drasticamente nossa economia”, informou Christian Duerr, líder parlamentar do Partido Democrata Livre (FDP), à revista de negócios WirtschaftsWoche.
“Só podemos controlar o problema do envelhecimento da força de trabalho com uma política de imigração moderna. Temos que atingir a marca de 400 mil trabalhadores qualificados do exterior o mais rápido possível”, acrescentou Duerr.
O partido social-democrata (SPD) do chanceler Olaf Scholz, o libertário FDP de Duerr e os ambientalistas Verdes concordaram em seu acordo de coalizão sobrea criação de um sistema de pontos para especialistas de países fora da União Europeia e o aumento do salário mínimo para € 12 (R$ 73,85) por hora para tornar as vagas mais atraentes.
O Instituto Econômico Alemão estima que a força de trabalho diminuirá em mais de 300 mil pessoas só em 2022, pois há mais trabalhadores se aposentando do que jovens entrando no mercado. Espera-se que essa lacuna aumente para mais de 650 mil por ano em 2029, deixando uma escassez acumulada de pessoas em idade ativa de aproximadamente 5 milhões. O número de alemães empregados cresceu para quase 45 milhões no ano passado, apesar da pandemia de coronavírus.
Após décadas de baixas taxas de natalidade e migração desigual, a redução da força de trabalho cobra o preço na forma de uma bomba-relógio demográfica para o sistema de previdência pública alemão, no qual menos contribuintes precisam financiar uma massa crescente de aposentados que desfrutam de uma vida mais longa do que nas geerações anteriores.
