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Ação sobre uso do WhatsApp não deve mudar eleição, diz especialista

Em entrevista a MONEY REPORT, o cientista político André Pereira César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, repercute a denúncia do suposto impulsionamento de mensagens anti-PT no WhatsApp e fala sobre os rumos do Brasil após a eleição presidencial. Confira:

 

A investigação sobre a disseminação em massa de mensagens no WhatsApp terá efeito nessa reta final do segundo turno?

Acredito que o impacto será limitado, principalmente pela distância entre os dois candidatos nas pesquisas. Fica difícil reverter esse quadro em tão pouco tempo. Além disso, o eleitor de Jair Bolsonaro tem um perfil que foi construído para não acreditar em notícias.

Como assim?

Alguns veem as manchetes dos jornais repercutindo o caso e pensam: “isso é um golpe da mídia para tirar Bolsonaro da disputa”. Então é muita confusão para pouco tempo de campanha. Outro fator que torna o efeito limitado é que o eleitor do candidato do PSL está cristalizado. A última pesquisa Datafolha mostrou que 95% deles já estão convictos no voto e não pensam em mudar.

Mesmo com a insistência do PT em explorar o assunto?

Sim. Penso que não terá grandes efeitos agora. Isso demora. Sem contar que a própria militância petista está desanimada. Os correligionários do partido estão resignados diante da dificuldade enfrentada por Fernando Haddad para virar o jogo. Eles já estão aceitando a provável vitória de Bolsonaro.

O que esperar da transição nesse cenário?

Já há turbulência. Essa provável transição me lembra a entre FHC e Lula. Foi uma mudança de governo entre grupos distintos. Então, se Bolsonaro for eleito, ele irá dar início a um governo extremamente diferente do que passou pelo país nos últimos 16 anos, mais alinhado à esquerda, com exceção do curto período da gestão Michel Temer, que tomou uma posição mais liberal.

Em um Congresso fragmentado, Bolsonaro terá governabilidade?

Ele certamente terá dificuldades. A maior bancada, a do PT, tem 56 deputados. Somada à de outros partidos de esquerda, deve dar algo em torno de 150 deputados eleitos. Esses parlamentares, em grupo, vão fazer barulho, usarão os instrumentos regimentais legítimos do parlamento e podem atrapalhar a tramitação de projetos. Então, Bolsonaro terá que buscar consensos e mostrar que está disposto governar também para aqueles que não votaram nele.

A troca de acusações na campanha afeta a legitimidade do próximo presidente? A democracia corre risco?

O Brasil já passou por muitos testes importantes desde a redemocratização. A posse de José Sarney com a morte do Tancredo Neves, o impeachment de Fernando Collor, o de Dilma Rousseff e outras situações já testaram o nosso sistema político. Então, acima de todos esses problemas, a nossa democracia tem capacidade de sobreviver. O próximo presidente sairá das urnas legitimado pelo povo e dentro das regras do jogo.

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