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A operação que mira produtora de filme sobre Bolsonaro e contrato de Wi-Fi em SP

Da redação
1 de junho de 2026
Polícia Civil apura suspeitas envolvendo acordo para instalação de internet gratuita em comunidades; prefeitura diz que colabora com as investigações e defende regularidade da contratação

A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta segunda-feira (1º) uma operação para apurar suspeitas de irregularidades em um contrato firmado para a instalação de pontos de Wi-Fi gratuito em comunidades periféricas da capital paulista.

A investigação envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade contratada para executar o serviço, e a Go UP Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As duas organizações têm ligação com Karina Ferreira da Gama, que preside o ICB e também é dona da produtora.

A operação, autorizada pela Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo, teve diligências na sede da Go UP Entertainment, em endereços ligados a Karina, na sede do ICB e também na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

Segundo a investigação, a apuração busca esclarecer possíveis indícios de superfaturamento, pagamentos antecipados, descumprimento de metas e eventual desvio de recursos públicos. Uma das linhas investigadas é se valores relacionados ao contrato de conectividade podem ter sido direcionados à produtora responsável por “Dark Horse”.

O contrato previa a instalação de pontos de internet gratuita em regiões periféricas da cidade. De acordo com elementos citados pela investigação, o valor firmado com o ICB seria superior a parâmetros usados como referência pela polícia. A apuração aponta que, enquanto a empresa municipal Prodam cobraria R$ 306, além de R$ 200 de manutenção mensal por ponto, o acordo com o instituto previa pagamento fixo de R$ 1.800 por ponto.

Outro ponto analisado pelos investigadores é a execução das metas previstas no contrato. A polícia apura se houve repasses antes da entrega integral dos serviços e se os pontos instalados correspondiam ao volume contratado.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações e permanece à disposição das autoridades. A gestão municipal disse que todo o material requisitado já havia sido encaminhado aos investigadores e que as informações sobre o contrato estão disponíveis por meio da prestação de contas do município.

A prefeitura também informou que o programa segue em funcionamento e que, por volta das 9h desta segunda-feira, apenas 52 dos 3.200 pontos contratados estavam offline e passavam por manutenção. A administração municipal negou que tenha havido pagamento por 5.000 pontos e afirmou que o aditivo questionado trata exclusivamente da manutenção dos 3.200 pontos já instalados.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) também defendeu que a contratação do ICB seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Segundo a prefeitura, o chamamento público ocorreu em 2024, ficou aberto por 30 dias para entidades interessadas e foi realizado antes da produção do filme mencionado.

A investigação também apura eventual confusão patrimonial entre o Instituto Conhecer Brasil e a Go UP Entertainment. Para a Polícia Civil, há suspeitas de que recursos ligados ao programa de Wi-Fi possam ter sido usados para custear atividades da produtora.

Karina Ferreira da Gama ainda não havia se manifestado sobre a operação. Em declarações anteriores, ela negou que o filme sobre Bolsonaro tenha recebido dinheiro público ou recursos de empresas brasileiras, e afirmou que o contrato com a Prefeitura de São Paulo foi firmado de forma regular e sem relação com “Dark Horse”.

O filme ganhou destaque após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a produção. Os envolvidos negam irregularidades. A Polícia Federal também apura se parte dos recursos ligados ao longa teria sido usada para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

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