A escolha de Imagem da Semana por MONEY REPORT recaiu sobre um registro perturbador: o momento em que um policial militar atira contra um homem rendido durante uma operação em Paraisópolis, zona sul de São Paulo. O vídeo de câmeras corporais dos próprios agentes mostram Igor Oliveira de Moraes Santos com as mãos para cima antes de ser baleado sem provocação. O caso levou à prisão em flagrante de dois policiais por homicídio doloso e provocou forte repercussão política e social.
Policiais mataram dois homens em paraisopolis SP, já estavam com as mãos na cabeça mas foram executados 😬 pic.twitter.com/nIhSQ4WCbr
— Plantão Baixada RJ (@plantaobaixadaa) July 15, 2025
Segundo a Polícia Militar, os agentes não sabiam que as câmeras corporais estavam gravando naquele momento. A informação foi confirmada pela própria corporação na terça-feira (15). A ativação remota, por meio de conexão Bluetooth entre os equipamentos, fez com que todas as câmeras próximas iniciassem a gravação automaticamente, registrando as cenas. A análise das imagens foi considerada fundamental para a prisão dos PMs, conforme explicou o coronel Emerson Massera, chefe da comunicação da corporação.
A gravação desmente a versão inicial dos policiais, que alegaram ter ocorrido troca de tiros. O coronel Massera admitiu que os PMs “não agiram dentro das excludentes de ilicitude”. As imagens mostram que, após a rendição de Igor, um dos policiais ordena que ele se levante e atira quando o suspeito começa a obedecer. Em seguida, um segundo policial também dispara. É possível ouvir os PMs mencionando “as COP”, em referência às câmeras operacionais portáteis.
A morte gerou protestos intensos na região, com ruas bloqueadas, carros incendiados e confronto com a polícia. Durante os distúrbios, outro homem, Bruno Leite, de 29 anos, também foi morto por policiais. Este caso segue investigado. Um sargento da Rota foi baleado no ombro e precisou de cirurgia.
A operação mobilizou a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) após denúncias de tráfico. Quatro suspeitos fugiram para dentro de uma residência onde Igor foi morto. Segundo a PM, foram apreendidas drogas e dinheiro com os detidos. Igor não possuía antecedentes desde adulto, mas tinha registros por ato infracional na adolescência.
A atuação foi condenada publicamente pelo ministro do STF Gilmar Mendes, que defendeu a legalidade e criticou o uso de execuções como forma de combate ao crime. “Nenhuma suspeita, por mais grave que seja, autoriza execuções sumárias”, escreveu. O governador Tarcísio de Freitas também reconheceu o erro e prometeu responsabilização.
Além da investigação da PM e do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), da Polícia Civil paulista, o caso também está sob apuração do Ministério Público. A defesa dos policiais sustenta que as imagens não captam toda a cena e pede cautela na interpretação. Ainda assim, especialistas ressaltam a importância das câmeras corporais como ferramentas de controle e transparência, tanto para a proteção dos cidadãos quanto dos próprios agentes.
