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A distorção na contagem de corpos

A cada anúncio do aumento do número de vítimas fatais da covid-19 no Brasil, surge uma dúvida. Esses dados são confiáveis até que ponto? Nas últimas 24 horas morreram mesmo 407 pessoas no Brasil por causa da pandemia? Dessas, 211 pereceram só no estado de São Paulo? A resposta correta é não. E esse dado não pode causar tranquilidade para ninguém. Há um grande atraso na elaboração das autópsias no Brasil. Faltam pessoal treinado, reagentes químicos, equipamentos de proteção, e, como foi visto em Manaus, sequer existem câmaras refrigeradas em quantidade suficiente para conservar os corpos. Dos 407 óbitos divulgados hoje, o Ministério da Saúde informou que 112 ocorreram nos últimos três dias e os demais 295, no domingo (19) ou antes.

Só daqui algum tempo é que os governos federal e estaduais vão conseguir atualizar e apresentar com precisão essa contagem mórbida, de acordo com o dia do falecimento. Há duas semanas, o atraso nos laudos no estado de São Paulo era de 21 dias ou pouco mais. Essa distância está caindo para quase dez dias. Com isso, o número de mortes registradas aumenta, indicando algo perigoso que passa desapercebido pelo grande público. O número de vítimas no passado recente pode ser maior do que se imagina. As autoridades acreditam nessa possibilidade e nada podem fazer.

Tivemos um vislumbre disso nesta quinta-feira (23). O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu, sem constrangimento: “A gente não sabe se isso representa um esforço de fechar os diagnósticos ou se representa uma linha de tendência de aumento. Como eu disse ontem, a gente avalia todo dia o que acontece até hoje à tarde. A partir dos dados novos, a gente define as próximas ações”. Ele não deve ser criticado por sua franqueza.

Dois infectologistas ouvidos por MONEY REPORT explicaram que é preciso ver uma UTI funcionando durante a pandemia para entender que a preocupação das equipes médicas não é com a quantidade de vítimas fatais. Depois que alguém morre, o leito precisa ser esterilizado e reocupado o mais rápido possível. Quem sai dentro de um saco plástico, vira estatística defasada – e sofrimento para a família. São os vivos que precisam receber todas as atenções e esforços.

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