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Vender já não basta: o que faz uma marca ganhar relevância

Lorena Scavone Giron
28 de setembro de 2026
Contagious Brands Report 2026 reúne 45 empresas, incluindo as brasileiras Bold e Hubla, que transformam produtos, lojas e comunidades em estratégias para conquistar consumidores

Uma loja de óculos que funciona como galeria de arte. Uma esponja que vira personagem nas redes sociais. Uma plataforma que transforma o interesse por cinema em comunidade. Em mercados diferentes, essas iniciativas respondem ao mesmo desafio: dar ao consumidor um motivo para se interessar por uma marca além da compra. Esse é um dos fios condutores do Contagious Brands Report 2026, que reúne 45 empresas consideradas pela consultoria referências em criatividade, inovação e diferenciação.

Organizada em nove categorias, a seleção apresenta estratégias para enfrentar a fragmentação da mídia, a pressão sobre o orçamento das famílias e as mudanças trazidas pela inteligência artificial e pela economia dos criadores. As brasileiras Bold e Hubla estão entre os destaques, em uma lista que aproxima startups e companhias multibilionárias.

“O que une muitas dessas marcas tão diversas é que elas encontraram o sucesso ao deixar de simplesmente fabricar produtos ou oferecer serviços. Em vez disso, estão criando experiências que surpreendem e encantam”, afirma Sunil Bajaj, principal analista de marcas da Contagious.


A loja precisa valer a visita

No varejo físico, o relatório destaca empresas que transformam seus endereços em lugares para frequentar. A Gentle Monster aproxima suas lojas de galerias de arte; a Dick’s Sporting Goods incorpora experiências esportivas aos espaços comerciais; e a Games Workshop faz dos pontos de venda locais de encontro entre jogadores.

Haus Nowhere, da Gentle Monster, em Shenzhen: instalações artísticas fazem do espaço comercial uma experiência de marca
Foto: Divulgação

Experimentar, jogar e encontrar pessoas passam a integrar a experiência de compra, oferecendo razões para sair de casa e permanecer no espaço.

Essa lógica também aparece na construção de universos de marca. A Jellycat conquista adultos com suas pelúcias, enquanto a rede chinesa Mixue amplia a presença de seu mascote Snow King na cultura digital. O produto abre caminho para uma relação alimentada por personagens, coleções e referências compartilhadas.

Experiência da Jellycat na Selfridges, em Londres, transforma a compra de pelúcias em uma encenação inspirada nas lojas de fish and chip
Foto: Divulgação


Quem conta a história também muda

Outra frente é a participação de funcionários e consumidores na comunicação. O programa Green Apron Creators, da Starbucks, transforma baristas em criadores de conteúdo. A varejista britânica Currys coloca seus funcionários no centro da presença nas redes, e a indiana Nykaa mobiliza jovens consumidores como embaixadores.

A comunicação passa a aproveitar o conhecimento de quem convive com o negócio. Experiências cotidianas e formas próprias de se expressar fornecem material para conteúdos menos padronizados.

A busca por participação também explica o espaço dedicado às comunidades. Letterboxd e Substack aparecem por conectar pessoas em torno do cinema e da publicação independente. Nesse grupo está a brasileira Hubla, que ajuda criadores a monetizar produtos digitais por meio de assinaturas, cursos, eventos e mentorias. Sua presença destaca a infraestrutura de negócios que se desenvolveu em torno dessas relações.

Bernardo Reis, Arthur Alvarenga e Raphael Capelão, da Hubla: brasileira integra a categoria dedicada à construção de comunidades
Foto: Divulgação


O cotidiano como espaço para inovar

Nem toda diferenciação exige criar uma categoria. A Scrub Daddy usa o desenho de sua esponja sorridente para produzir conteúdo, enquanto a Fishwife recorre às embalagens para renovar o apelo dos peixes enlatados.

Embalagens ilustradas da Fishwife dão novo apelo visual à categoria de peixes em conserva
Foto: Divulgação

A brasileira Bold integra essa categoria, chamada Everyday Magic Makers, pela aproximação de suas barras de proteína com a aparência e o sabor de sobremesas. Segundo o relatório, essas características estimulam vídeos produzidos pelos próprios consumidores, conectando o desenvolvimento do produto à sua circulação nas redes.

Bold está entre as brasileiras destacadas pelo relatório, que associa o apelo de suas barras à circulação de conteúdo nas redes
Foto: Divulgação

Entre as inovações de produto, a seleção inclui os protetores auriculares da Loop, os adesivos para acne da Starface e o anel da Oura. São propostas que combinam função e design para atender a necessidades específicas, como controlar o ruído, cuidar da pele ou acompanhar indicadores de saúde.

A inteligência artificial tem uma categoria própria, representada por Runway, Zapia e Xpanceo. Os exemplos vão da criação de vídeos e da execução de tarefas cotidianas ao desenvolvimento de lentes de contato inteligentes.


Preço também constrói relevância

O relatório reserva ainda uma categoria às empresas que respondem à pressão do custo de vida. Back Market, Vinted e Cheaf conectam economia a eletrônicos recondicionados, roupas usadas e excedentes de alimentos, respectivamente. O Mercado Livre aparece por incorporar criatividade à comunicação de descontos.

A seleção retrata uma disputa que envolve atenção, tempo e orçamento. A inovação pode estar em um produto, na forma de apresentar uma oferta ou na capacidade de aproximar pessoas. Como resume Bajaj, “é preciso fazer com que as pessoas queiram passar tempo com você”.

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