Falta de sucessores expõe desafio da liderança nas empresas brasileiras
Um estudo inédito realizado pela EXEC em parceria com a GPTW revela que a sucessão continua sendo um dos principais desafios da alta liderança brasileira. Segundo o levantamento, 41% dos CEOs afirmam não ter um sucessor preparado para assumir o cargo, enquanto apenas 16,1% dizem contar com um executivo pronto para ocupar a posição em caso de saída.
Os dados mostram que a formação de novas lideranças ainda é uma lacuna relevante nas empresas. A maioria dos CEOs está nas faixas etárias de 40 a 49 anos (35%) e de 50 a 59 anos (36,9%), o que, combinado com a baixa preparação de sucessores, pode aumentar a concentração de decisões e conhecimento nas lideranças atuais.
A pesquisa também destaca o impacto da inteligência artificial no ambiente corporativo. Para 76,9% dos CEOs, a tecnologia já está transformando a forma de liderar. No entanto, quase 30% apontam a falta de gestores qualificados para conduzir a adoção da IA nos negócios, indicando que o desafio está cada vez menos relacionado à tecnologia e mais à capacitação das lideranças.
Em relação ao cenário econômico, 61,8% dos CEOs enxergam os próximos três anos com incerteza. Ainda assim, 34,6% mantêm uma visão otimista, enquanto apenas 3,7% se declaram pessimistas. O estudo sugere que, diante de um ambiente externo mais imprevisível, as empresas estão concentradas em fortalecer competências internas, especialmente em liderança, gestão de pessoas e sustentabilidade.
O levantamento mostra ainda que a aposentadoria não está nos planos da maior parte dos executivos. Quase um em cada cinco CEOs (19,3%) afirma não ter intenção de parar de trabalhar, e uma parcela relevante pretende permanecer em atividade até depois dos 70 anos.
Na esfera pessoal, os CEOs relatam um equilíbrio relativamente positivo entre vida profissional e pessoal. Mais de 60% atribuíram notas altas para sua qualidade de vida, e a maioria consegue tirar férias regularmente. Apesar disso, 53,5% admitem não conseguir se desconectar totalmente do trabalho durante os períodos de descanso.
O perfil demográfico apontado pela pesquisa mostra predominância masculina na presidência das empresas, com 78,8% dos cargos ocupados por homens. Entre as mulheres que chegaram ao topo da gestão, o nível de qualificação é superior: 73,9% possuem pós-graduação ou MBA, contra 60,8% dos homens.
Por fim, visão estratégica e inteligência emocional aparecem como as competências mais valorizadas pelos CEOs para a liderança atual. Já em relação aos colaboradores, os executivos priorizam entrega de resultados, alinhamento aos valores da empresa e resiliência como características essenciais para o desempenho profissional.
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