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O que vem depois das canetas emagrecedoras na busca pelos próximos “blockbusters farmacêuticos”

Lucas Andrade
27 de setembro de 2026

Um relatório do BTG Pactual aponta que o sucesso dos medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes, pode servir como referência para identificar as próximas grandes oportunidades da indústria farmacêutica. Embora seja difícil encontrar um novo fenômeno com a mesma magnitude de Wegovy e Ozempic, o banco acredita que diversas categorias terapêuticas têm potencial para impulsionar o crescimento do setor nos próximos anos.

A principal aposta continua sendo a própria obesidade. Segundo o BTG, a próxima geração de tratamentos deverá incluir medicamentos orais, terapias combinadas e novas moléculas com maior eficácia e intervalos mais longos entre as doses. A expectativa é que o mercado global de medicamentos para perda de peso alcance entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões até o fim da década, ampliando ainda mais o alcance desse segmento.

Outra frente observada com atenção é a área cardiovascular. Novos tratamentos para controle do colesterol e da hipertensão podem transformar mercados historicamente dominados por medicamentos genéricos de baixo custo. O destaque fica para terapias inovadoras de uso contínuo e administração simples, característica que favorece sua distribuição por farmácias tradicionais.

O BTG também chama atenção para medicamentos de imunologia e doenças respiratórias. O avanço de biológicos de longa duração e de aplicações domiciliares tende a aproximar o tratamento dos pacientes, criando oportunidades para grandes redes com infraestrutura de cadeia refrigerada, programas de acompanhamento e serviços clínicos.

Na neurologia, o banco destaca os avanços no tratamento do Alzheimer. Embora os medicamentos mais recentes ainda exijam monitoramento especializado, a evolução para aplicações subcutâneas em casa pode, no futuro, abrir espaço para o desenvolvimento de novos modelos de distribuição e suporte ao paciente.

A oncologia continua sendo a maior categoria farmacêutica do mundo, mas boa parte dos tratamentos mais sofisticados permanece concentrada em hospitais e clínicas especializadas. Ainda assim, o crescimento dos medicamentos oncológicos orais cria oportunidades para o varejo farmacêutico, especialmente em segmentos de maior valor agregado.

As vacinas surgem como uma oportunidade diferente. Mais do que ampliar a venda de medicamentos, elas reforçam o papel das farmácias como centros de serviços de saúde. O avanço de campanhas para imunização contra vírus como RSV, gripe, herpes-zóster e doenças pneumocócicas pode gerar receitas adicionais com aplicação, fidelização de clientes e aumento da frequência nas lojas.

Na avaliação do BTG Pactual, o futuro do varejo farmacêutico será menos dependente de um único blockbuster e mais apoiado em diferentes categorias de alto valor. O movimento tende a favorecer grandes redes capazes de oferecer serviços especializados, logística avançada, acompanhamento digital e maior proximidade com os pacientes, em um mercado que se torna cada vez mais complexo e sofisticado.

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