A Track&Field tem observado uma mudança relevante no perfil de consumo de seus clientes, com maior procura por roupas de tamanhos menores. Segundo reportagem da Bloomberg Línea, o CEO Fernando Tracanella atribui o movimento ao avanço do uso de análogos de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, entre consumidores de alta renda. O executivo afirma que já há uma migração perceptível para peças menores em linhas femininas e masculinas, refletindo o acesso desse público às terapias de emagrecimento.
A companhia, que conta com 448 lojas no Brasil e em Portugal, também vem expandindo o TFC Food & Market, operação de venda de comida saudável e suplementação. O formato já está presente em 17 unidades e registrou crescimento de 34,8% nas vendas no segundo trimestre, com alta de 29,2% no número de clientes atendidos. Suplementos representam cerca de um quarto das vendas do TFC, atrás apenas de alimentos, mas a empresa descarta fabricar produtos próprios, preferindo distribuir marcas de terceiros.
No cenário competitivo, a Track&Field enfrenta a fragmentação do varejo esportivo, com a ascensão de modalidades como beach tennis e tênis, além da expansão de concorrentes como Lacoste, Live! e C&A na categoria athleisure. A resposta da companhia tem sido ampliar escala e inovação em produtos, cobrindo mais de 40 modalidades e promovendo cerca de 4.000 eventos esportivos em 2024 por meio da plataforma TFSports.
Os resultados financeiros reforçam o momento positivo. No segundo trimestre, a receita líquida somou R$ 279,7 milhões, alta de 15,5% em relação ao ano anterior. O Ebitda avançou 15,9%, com margem de 23,5%, e o lucro líquido ajustado cresceu 8,2%, atingindo R$ 44,3 milhões. O BTG Pactual manteve recomendação de compra para a ação TFCO4, com preço-alvo de R$ 19, destacando a aceleração das vendas em mesmas lojas e a eficiência operacional sustentada pelo modelo asset light e pela rede de franquias.
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