País trava em regulação e pode perder espaço na corrida global da IA
Em entrevista à Bloomberg Línea, Márcio Aguiar, diretor da Divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, fez um alerta direto: o Brasil corre o risco de perder espaço na corrida global da inteligência artificial por causa da lentidão regulatória. Segundo ele, cada mês de atraso em políticas públicas e incentivos fiscais representa uma nova era perdida na evolução da tecnologia.
Aguiar destacou que iniciativas como o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e o programa Redata seguem travadas em Brasília, o que já resulta em fuga de talentos, adiamento de investimentos privados e perda de competitividade frente a vizinhos mais ágeis, como Chile, Uruguai e Colômbia. Enquanto isso, países menores avançam rapidamente na criação de ambientes favoráveis para data centers e inovação em IA.
O executivo lembrou que o Brasil tem potencial diferenciado, especialmente pela matriz energética limpa, mas a burocracia e a falta de clareza nos incentivos fiscais fazem com que grandes empresas optem por investir em infraestrutura fora do país. Isso mantém o Brasil como consumidor de soluções prontas, em vez de produtor de tecnologia de ponta, limitando a geração de empregos qualificados e a arrecadação de impostos de longo prazo.
Para Aguiar, a aprovação de programas como o Redata poderia abrir um dos melhores cenários possíveis para o país, impulsionando a criação de novos empregos, fortalecendo a economia e posicionando o Brasil como destino estratégico para investimentos em centros de dados. Sem essa agilidade, o país corre o risco de ficar à margem da revolução da inteligência artificial.
