Acordo com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR tenta transformar poder computacional em uma nova classe de ativos para investidores
A Nvidia está se unindo a alguns dos maiores nomes de Wall Street para criar plataformas de financiamento capazes de mobilizar mais de US$ 500 bilhões para infraestrutura de inteligência artificial.
Segundo a CNN, a fabricante de chips assinou um acordo preliminar com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR. A ideia é ampliar o acesso a crédito para empresas que precisam construir data centers, comprar chips e contratar capacidade computacional para desenvolver e treinar modelos de IA.
Jensen Huang (imagem), CEO da Nvidia, afirmou que a infraestrutura de computação está deixando de ser apenas uma despesa tecnológica e começa a ganhar características de uma classe de ativos própria. Ele chamou essas estruturas de “fábricas de IA”, comparando a lógica de financiamento à de outros projetos de infraestrutura produtiva.
Um dos objetivos é facilitar o acesso de empresas menores e startups a recursos para adquirir poder computacional, hoje um dos insumos mais caros e disputados do setor.
O movimento também mostra como a corrida pela IA está aproximando ainda mais tecnologia e mercado financeiro. Em vez de financiar data centers projeto a projeto, a proposta é criar estruturas capazes de atrair grandes investidores institucionais e transformar equipamentos de computação em ativos usados como base para operações de crédito.
A estratégia, porém, vem acompanhada de dúvidas. Investidores já demonstram preocupação com o volume de capital e dívida direcionados ao setor e com a chamada circularidade de alguns negócios, em que empresas de IA investem umas nas outras enquanto compram produtos entre si.
Há ainda uma questão estrutural: chips perdem valor rapidamente conforme novas gerações chegam ao mercado. Nigel Green, CEO da consultoria deVere Group, observou à CNN que transformar esse tipo de equipamento em um ativo financiável no longo prazo só funciona se ele conseguir manter valor econômico por tempo suficiente.
A Nvidia está no centro desse processo. Impulsionada pela demanda por chips para IA, a companhia alcançou uma avaliação de mercado de cerca de US$ 5,3 trilhões. Agora, tenta ampliar sua influência para além da venda de hardware e participar também da arquitetura financeira que sustenta a expansão da inteligência artificial.
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