CagriSema combina semaglutida e cagrilintida em uma única aplicação semanal e apresentou resultados de fase 3 que indicam maior perda de peso e melhor controle metabólico
A Novo Nordisk apresentou novos resultados clínicos da CagriSema durante o congresso da American Diabetes Association (ADA) 2026, reforçando o avanço daquele que é considerado um dos principais candidatos da farmacêutica para suceder a atual geração de medicamentos baseados em semaglutida, como Ozempic e Wegovy. O tratamento combina a semaglutida, já amplamente utilizada para diabetes e obesidade, com a cagrilintida, um análogo do hormônio amilina, ampliando os mecanismos de controle do apetite e da saciedade.
Os estudos de fase 3 representam uma das etapas mais avançadas do desenvolvimento clínico para diabetes tipo 2. Em pesquisas anteriores da plataforma, voltada para obesidade, a combinação registrou perda média de peso superior a 20% do peso corporal após 68 semanas de tratamento, além de reduções relevantes nos níveis de glicemia e hemoglobina glicada (HbA1c), indicador utilizado para monitorar o controle do diabetes.
O principal diferencial da CagriSema está na atuação simultânea sobre duas vias biológicas. Enquanto a semaglutida age nos receptores de GLP-1, reduzindo a fome e melhorando o metabolismo da glicose, a cagrilintida atua sobre a amilina, hormônio que aumenta a sensação de saciedade. A expectativa da Novo Nordisk é que essa combinação permita resultados superiores aos observados com medicamentos que utilizam apenas a tecnologia GLP-1.
Apesar do avanço, o medicamento ainda não está disponível no mercado. A companhia já submeteu um pedido de aprovação à Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, em dezembro de 2025. O processo está em análise e uma decisão é esperada ao longo deste ano. Caso receba sinal verde, a expectativa do mercado é que o lançamento comercial ocorra entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A aprovação da CagriSema é acompanhada de perto por investidores, pois pode representar a principal aposta da Novo Nordisk para sustentar sua liderança no mercado global de tratamentos para obesidade e diabetes. Embora estudos recentes tenham mostrado desempenho inferior ao da tirzepatida, da Eli Lilly, em uma comparação direta, a combinação continua sendo vista como um dos projetos mais avançados da indústria farmacêutica na corrida pela próxima geração de terapias metabólicas.
