A C&A apresentou em seu Investor Day a nova estratégia de crescimento chamada Full Power, que sucede o ciclo Energia 2024-26. Segundo relatório do BTG Pactual, enquanto o Energia foi voltado para fortalecer o negócio principal, melhorar produtos, lojas e rentabilidade, o Full Power marca uma virada para expansão, com disciplina de capital e novas avenidas de crescimento.
Entre 2023 e o segundo trimestre de 2026, a companhia registrou avanços expressivos: receita de vestuário cresceu 30,5%, vendas por metro quadrado subiram 29%, margem bruta aumentou 4,7 pontos percentuais e o EBITDA ajustado avançou 76%, com queda da alavancagem de 1,5x para 0,2x. Com essa base consolidada, o plano até 2030 prevê a renovação de 100 a 120 lojas, abertura de 60 a 80 novas unidades, expansão da iniciativa Dispersão para até 80 pontos e aumento da penetração digital para 15% das vendas de vestuário, além de triplicar a base de clientes omnichannel.
O relatório destaca que consumidores multicanal já compram e gastam o dobro em relação aos de canal único, reforçando o potencial de produtividade. A estratégia inclui ampliar o sortimento, fortalecer o aplicativo, investir em social selling e comércio conversacional, além de acelerar reformas de lojas, que já apresentam vendas 15% superiores e NPS 15 pontos acima da média.
Outro movimento relevante é o lançamento da marca ACE, voltada para o segmento de athleisure. O mercado brasileiro de roupas esportivas deve crescer de R$ 37 bilhões em 2025 para R$ 48,6 bilhões em 2030. A ACE terá posicionamento premium, com identidade própria e canais físicos e digitais, apoiada pela infraestrutura da C&A. O plano inicial prevê até 10 lojas próprias em shoppings de alto padrão, podendo chegar a 25 antes de uma expansão maior.
A logística também será reforçada, com investimentos de R$ 200 a R$ 300 milhões até 2030. A rede passará de um modelo centralizado para regionalizado, com novos centros de distribuição e hubs urbanos, ampliando a cobertura de última milha e aumentando a eficiência.
O C&A Pay, lançado em 2021, já responde por 28% das vendas e mostra clientes com frequência de compra duas vezes maior e gasto 150% superior. A empresa pretende ampliar a adoção e lançar novos produtos financeiros, como cartão próprio e empréstimos pessoais, elevando a contribuição dos serviços financeiros para o EBITDA.
Apesar da agenda de crescimento, a disciplina financeira segue como prioridade. O capex deve se manter entre 7% e 8% da receita líquida, com meta de ROIC acima de 18% e melhora de 20% no ciclo de conversão de caixa até 2030. A companhia planeja distribuir integralmente os lucros que excederem os investimentos, com payout maior e alavancagem abaixo de 0,5x ND/EBITDA.
De acordo com o BTG Pactual, a C&A combina expansão de lojas e digital, novas frentes de receita e maior geração de caixa, mantendo foco em rentabilidade e remuneração ao acionista.
Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT
