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Mercado de tatuagem ganha lógica de marketplace para além das redes sociais

Lorena Scavone Giron
25 de agosto de 2026
My Tattoo Hub reúne mais de 200 tatuadores e aposta em ferramentas para profissionalizar um setor ainda informal na relação com clientes

Escolher um tatuador costuma envolver uma mistura de indicação, pesquisa nas redes sociais e uma boa dose de paciência até encontrar alguém cujo estilo combine com a ideia do cliente. Uma startup brasileira quer organizar esse processo e, de quebra, levar mais ferramentas de gestão para quem vive de tatuar.

O My Tattoo Hub chegou ao mercado com a proposta de funcionar como uma ponte digital entre clientes e profissionais. Disponível na web e em aplicativo, a plataforma permite pesquisar tatuadores por estilo e localização, enviar referências e ideias de projetos, solicitar orçamento e agendar sessões.

Do outro lado, os artistas podem usar o serviço como vitrine para seus trabalhos e também para administrar parte da operação, com agenda, orçamentos, pagamentos e controle financeiro.

Com menos de um ano de funcionamento, a startup afirma já reunir mais de 200 tatuadores de diferentes regiões do país.

“Nosso objetivo é ser mais do que um simples marketplace de tatuagens. Queremos valorizar a tatuagem como expressão artística e tornar o processo mais eficiente, prático e acessível, tanto para clientes quanto para tatuadores”, afirma Alexandre Bage, francês radicado no Brasil e cofundador da empresa.

Do Instagram para uma operação mais organizada

A aposta do My Tattoo Hub está em um mercado no qual boa parte da descoberta de profissionais ainda acontece de maneira bastante descentralizada, principalmente pelas redes sociais.

Na plataforma, o cliente pode filtrar artistas de acordo com o estilo desejado e a localização, encaminhar uma proposta de tatuagem e fechar o agendamento. A reserva envolve o pagamento, via Pix, de um sinal correspondente a 10% do valor da sessão.

Para os profissionais, há um plano gratuito e uma assinatura paga com recursos adicionais. Entre as ferramentas oferecidas estão URL personalizada para divulgação do portfólio, integração com o Google Agenda, painel de agendamentos e recursos para acompanhamento financeiro.

A empresa também afirma realizar uma curadoria antes de liberar os perfis dos tatuadores na plataforma. Embora qualquer profissional possa solicitar a criação de uma conta, os artistas passam por avaliação antes de serem aprovados.

“Embora qualquer tatuador possa criar uma conta, nem todos são aceitos. Todos eles passam por uma avaliação prévia e cuidadosa”, diz Bage.

Flash tattoos ganham vitrine própria

Uma das novidades da startup é o My Tattoo Hub Flash, seção dedicada às chamadas flash tattoos, desenhos autorais criados previamente pelos tatuadores e disponíveis para quem prefere escolher uma arte pronta em vez de desenvolver um projeto do zero.

Os profissionais podem publicar os desenhos gratuitamente, enquanto os clientes navegam pelas opções e encontram o artista responsável pela criação.

A iniciativa amplia a tentativa da empresa de concentrar diferentes etapas da jornada de uma tatuagem dentro da mesma plataforma: da descoberta do profissional ao pagamento do sinal e à marcação da sessão.

Para o My Tattoo Hub, a oportunidade aparece também em meio à mudança da relação do público com a tatuagem. Depois de décadas associada sobretudo a determinados grupos e estilos de vida, a arte corporal passou a ocupar espaço mais amplo entre diferentes gerações e perfis de consumidores.

O desafio da startup agora será mostrar se uma experiência tradicionalmente baseada em indicação, afinidade estética e contato direto entre cliente e artista também pode ganhar escala por meio da lógica de marketplace — sem perder justamente o elemento pessoal que faz uma tatuagem ser diferente de uma compra qualquer.

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