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Mercado de produtos digitais ganha maturidade e amplia busca por especialização

Da redação
19 de outubro de 2026

O mercado brasileiro de produtos digitais está entrando em uma fase mais madura, marcada por profissionais mais experientes, maior foco em especialização e crescimento dentro da própria carreira. É o que mostra a 7ª edição do Panorama do Mercado de Produto, da PM3, realizada com mais de 2,3 mil profissionais de todo o país.

Os dados indicam que a entrada direta na área de produto cresceu, passando de 4,74% para 8,13%, embora a migração de carreira continue sendo um caminho importante para o setor. Hoje, 84,8% dos profissionais têm entre 25 e 44 anos, enquanto 62,3% acumulam de três a dez anos de experiência na área.

A busca por evolução profissional também mudou de perfil. Atualmente, 35% dos profissionais planejam crescer no cargo que já ocupam, enquanto o interesse por uma carreira de especialista (13,9%) praticamente se iguala ao desejo de assumir posições formais de liderança (13,6%).

“O profissional de produto no Brasil deixou a fase de experimentação. Não vemos mais aquela corrida desordenada por migração, mas sim uma busca consciente por especialização técnica e visão de negócio. A barra subiu e a complexidade das empresas hoje exige domínio em áreas cruciais como analytics, discovery e growth”, afirma Raphael Farinazzo, CEO da PM3.

A valorização do setor também aparece na remuneração. A média salarial dos profissionais de produto alcançou R$ 13.011,33 mensais, com mais de 30% dos entrevistados recebendo acima de R$ 15 mil. Nas posições de liderança, os ganhos são ainda mais elevados: a maioria dos profissionais em cargos de head, gerência e diretoria/C-Level supera a faixa dos R$ 21 mil por mês.

O levantamento também aponta uma descentralização geográfica do mercado. Pela primeira vez, São Paulo concentra menos da metade dos profissionais da área, com participação de 48,1%, abaixo dos 52,3% registrados no ano anterior. O avanço de outras regiões foi puxado principalmente pelo Nordeste, que já representa quase 10% dos profissionais, enquanto o Centro-Oeste alcança 3,7%.

Outro destaque é o avanço da participação feminina. As mulheres passaram a representar 54,5% dos profissionais do setor e são maioria em oito dos nove principais cargos analisados. Além disso, já alcançaram paridade nos níveis intermediários de liderança. Apesar da evolução, as posições de diretoria e C-Level ainda permanecem majoritariamente masculinas, com 88% dos cargos ocupados por homens.

O estudo também aponta crescimento da diversidade racial. A participação de profissionais negros, considerando pretos e pardos, subiu de 21,7% para 29,9% nos últimos três anos.

“Com os nossos dados, observamos uma força de trabalho amadurecida, mais feminina e geograficamente diversa. Porém, as estruturas corporativas ainda não acompanharam esse ritmo na mesma velocidade. Temos o desafio de valorizar a carreira especialista para não forçar talentos técnicos a assumirem gestão apenas pelo salário, assim como contribuir para que mais mulheres alcancem posições de diretoria. Na nova fase desse mercado, reter talentos exigirá corrigir essas distorções”, destaca Farinazzo.

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