A Tivit, multinacional de tecnologia do Grupo Almaviva, revelou que a adoção de mecanismos de detecção de injeção biométrica está expondo um volume significativo de tentativas de fraude antes invisíveis aos sistemas tradicionais de autenticação. Instituições financeiras que passaram a utilizar essas camadas adicionais de proteção agora conseguem identificar ataques que anteriormente eram aprovados como acessos legítimos.
“O primeiro padrão que observamos é uma virada de jogo na captura biométrica. Quando o cliente adiciona detecção de injeção e verificação da integridade do ambiente, passa a enxergar um volume relevante de tentativas que, até então, simplesmente não apareciam nos relatórios porque eram aprovadas como se fossem pessoas reais. Não é que a fraude aumentou. Ela finalmente ficou visível”, afirma Thiago Tanaka, diretor de cibersegurança da Tivit.
A chamada injeção biométrica ocorre quando imagens ou vídeos sintéticos são inseridos diretamente no fluxo de captura da câmera, sem que haja uma pessoa diante do dispositivo. Nesse cenário, a biometria facial tradicional pode confirmar que o rosto corresponde ao cadastro, mas não detectar que a imagem não foi capturada em tempo real.
Segundo Tanaka, as novas tecnologias verificam não apenas a identidade do usuário, mas também a origem da captura e a integridade do ambiente. Isso permite identificar o uso de câmeras virtuais, emuladores e aplicativos modificados, além de outros sinais de comprometimento do dispositivo.
“A biometria facial simples responde apenas a uma pergunta: este rosto é o rosto desta pessoa. Ela continua sendo necessária, mas essa pergunta deixou de ser suficiente. Hoje, o criminoso consegue apresentar um rosto perfeito que nunca esteve na frente da câmera. O que agregamos são camadas capazes de verificar se aquela imagem realmente veio da câmera do aparelho ou se foi injetada no fluxo por uma câmera virtual, um emulador ou um aplicativo modificado”, destaca Tanaka.
O avanço dessas soluções coincide com mudanças regulatórias no Brasil. A Instrução Normativa ITI nº 36/2026 passou a mencionar expressamente ameaças como deepfake, injeção biométrica e dispositivos comprometidos em processos remotos de validação de identidade, estabelecendo requisitos para prova de vida e bloqueio desses ataques.
Na avaliação da Tivit, a adoção dessas tecnologias tende a transformar a percepção do mercado sobre fraudes biométricas, já que ataques antes invisíveis passam a ser identificados e bloqueados, reforçando a necessidade de complementar a biometria facial com análises de integridade do ambiente e da origem da captura.
