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Exame: Vitacon, do estúdio de 10 metros quadrados, volta aos escritórios de alto padrão

Da redação
31 de julho de 2026

Após se consolidar nos compactos, incorporadora amplia atuação para unidades de até 138 metros quadrados e prepara retorno ao mercado de lajes corporativas

A Vitacon ficou conhecida por transformar apartamentos compactos em um produto imobiliário desejado por investidores. Agora, a incorporadora quer ampliar o alcance da marca: além dos studios e unidades menores, a empresa passa a apostar em apartamentos maiores e prepara sua volta ao mercado de escritórios corporativos de alto padrão.

O movimento começa com o lançamento do Vitacon João Ramalho, em Perdizes, com apartamentos de duas e três suítes e metragens entre 67 metros quadrados e 138 metros quadrados. A companhia também prepara torres corporativas triple A em regiões estratégicas de São Paulo, próximas à Faria Lima e Avenida Paulista.

Segundo Ariel Frankel, CEO da Vitacon, a expansão não representa uma mudança de direção, mas uma evolução do modelo de negócios. A empresa pretende acompanhar diferentes momentos da vida dos clientes, sem abandonar a filosofia que a tornou conhecida.

“Estamos ampliando o nosso mix de produtos porque entendemos que o mercado exige soluções para diferentes momentos de vida, perfis de uso e estratégias de investimento. A diversificação é um passo natural para a Vitacon, mas seguimos preservando a filosofia que tornou a marca reconhecida”, afirma.

Em 2017, a Vitacon chamou a atenção ao anunciar que lançaria um empreendimento em São Paulo com 72 apartamentos com 10 metros quadrados. Para efeito de comparação, caberiam 13 unidades deste tipo no apartamento que a companhia lança agora em Perdizes.

O projeto de studios de 10 metros quadrados foi de fato lançado em 2018 e vendeu 100% em 180 dias. Ele já está entregue e, segundo a companhia, a valorização do projeto do lançamento até hoje é de cerca de 100%.

“É considerado um case da Vitacon, as unidades geridas pela Housi apresentam em média 80% de ocupação com picos de 100% em função da sazonalidade”.

Fim da era dos studios?

A Vitacon construiu sua marca explorando a demanda por apartamentos compactos, especialmente em regiões centrais de São Paulo, com foco em investidores interessados em locação de curta ou longa duração.

Agora, a empresa quer ampliar esse relacionamento. Segundo Frankel, a ideia é acompanhar o cliente ao longo do ciclo de vida: alguém que começa comprando um studio pode, no futuro, buscar uma unidade maior, com mais espaço para família ou home office.

“Não queremos ser uma incorporadora que entrega a chave e vai embora. Queremos olhar a jornada inteira do cliente, desde a venda, a mobília, a gestão e o pós-entrega”, afirma.

A mudança será gradual. Hoje, produtos maiores representam cerca de 20% a 25% do portfólio da companhia. A expectativa é que essa participação avance para aproximadamente um terço dos lançamentos nos próximos ciclos.

Apesar da expansão para novas tipologias, os compactos continuarão como parte central da estratégia. Segundo o executivo, ainda existe demanda elevada pelo produto, especialmente entre investidores.

O empreendimento na Rua João Ramalho, em Perdizes, também representa a entrada da Vitacon em uma faixa de metragem maior, mas mantém características que fizeram parte da estratégia da companhia nos últimos anos, como serviços, tecnologia e soluções voltadas à conveniência dos moradores.

O projeto aposta em uma estrutura de lazer e bem-estar mais ampla, com espaços como academia, piscina, sky bar, lounge, área para crianças, espaço para animais de estimação, horta e ambientes de convivência compartilhada.

As unidades também incorporam recursos tecnológicos, como fechaduras inteligentes e sistema de aquecimento central de água. Os apartamentos poderão ainda ser entregues mobiliados e equipados por meio da Housi, proptech ligada ao ecossistema da Vitacon, facilitando a operação para investidores que pretendem disponibilizar os imóveis para locação.

A volta aos escritórios

Além das novas tipologias residenciais, a Vitacon prepara seu retorno ao segmento corporativo, com projetos de lajes triple A em regiões nobres de São Paulo, como Faria Lima, Avenida Paulista e Jardins. A decisão acontece em um momento de recuperação do mercado de escritórios de alto padrão, impulsionado pelo movimento de empresas em busca de espaços mais modernos e bem localizados após a retomada do trabalho presencial.

Segundo levantamento do Research Lab da CBRE, mais de 431 mil metros quadrados de escritórios foram absorvidos entre janeiro e junho de 2026, volume 21% superior à média histórica dos primeiros semestres desde 2019. A absorção líquida chegou a aproximadamente 186 mil metros quadrados, o segundo melhor primeiro semestre dos últimos dez anos.

Mesmo com a entrega de 11 novos edifícios no período, cerca de 60% desse novo estoque já chegou pré-locado, indicando uma demanda elevada por ativos de maior qualidade. Nos edifícios Triple A, a taxa de vacância caiu para 9,8%, o menor nível em cinco anos, reforçando a escassez de espaços corporativos premium nas principais regiões da capital.

Esse movimento, segundo a CBRE, é impulsionado pelo chamado flight to quality: empresas têm priorizado edifícios mais eficientes, sustentáveis e estrategicamente localizados, capazes de melhorar a experiência dos funcionários e oferecer maior flexibilidade operacional. No primeiro semestre, 55% da absorção bruta ocorreu em edifícios Classe A e A+, consolidando a preferência por ativos de padrão elevado.

É nesse cenário que a Vitacon pretende voltar ao mercado corporativo. A companhia afirma que não busca desenvolver pequenos conjuntos comerciais, mas projetos de maior escala e com possibilidade de integração entre usos.

“Não estamos falando de salinhas. Estamos falando de projetos imponentes, robustos”, afirma Ariel Frankel, CEO da Vitacon.

A EXAME apurou que o empreendimento será lançado em uma esquina nos Jardins, na Alameda Lorena. O terreno foi viabilizado pela união de cerca de dez imóveis e proprietários diferentes, permitindo uma área maior para uma construção de padrão elevado.

A previsão é que empreendimentos desse porte levem cerca de três anos para serem entregues. A empresa ainda avalia diferentes modelos de negócio, incluindo a locação das lajes ou a venda dos ativos para fundos de investimento.

Foco nos investidores

A expansão de portfólio também reflete uma mudança no perfil do investidor imobiliário. Segundo Frankel, o comprador atual pode ter uma visão híbrida: busca retorno financeiro, mas também considera o uso futuro do imóvel por familiares.

Essa lógica permite que a Vitacon explore produtos diferentes sem abandonar o público investidor que ajudou a construir a marca.

A empresa mantém o compacto como uma ferramenta importante para estratégias de locação e investimento, mas amplia o portfólio para capturar clientes em diferentes momentos da vida.

A tese da companhia é que o futuro do mercado imobiliário não estará em um único formato de apartamento, mas na capacidade de oferecer produtos conectados à localização, tecnologia, serviços e experiência.


Por Letícia Furlan

Publicação original

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