Grupo estreia a John John nas franquias e busca grandes operadores locais para acelerar a expansão das duas marcas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste
A Veste S/A quer usar o franchising para acelerar a expansão de duas de suas principais marcas de moda pelo país. O grupo, dono também de Le Lis, Bo.Bô e Individual, vai levar a John John pela primeira vez ao modelo de franquias e ampliar a rede franqueada da Dudalina, em uma estratégia que mira principalmente Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
O movimento tem metas distintas para as duas marcas. Na John John, que hoje possui 34 lojas próprias e presença em mais de 500 pontos de venda, a intenção é chegar a 30 unidades franqueadas até 2028. Na Dudalina, que já opera com 22 franquias e 35 lojas próprias, a Veste pretende chegar a 30 franquias ainda em 2026 e a 40 até o fim de 2027.
Para encontrar os operadores, a companhia contratou a Retail Mind Group, consultoria especializada em varejo que chegou ao Brasil no ano passado. Mais do que pequenos empreendedores interessados em abrir uma única loja, a busca será por investidores e multifranqueados com capacidade financeira e conhecimento dos mercados locais.
A lógica é usar esses parceiros para avançar em regiões nas quais uma operação própria seria mais complexa. “Procuramos empresários que conhecem essa região e vão pegar a marca como se fosse deles e abrir várias lojas”, diz Manoela Whitaker, country manager da Retail Mind Group no Brasil.
A aposta é que operadores locais consigam reduzir uma das dificuldades enfrentadas por grandes grupos de varejo quando se afastam de seus mercados de origem: entender as particularidades de consumo de cada praça. “Mesmo que eu seja uma marca superconsolidada, talvez eu não conheça tão bem o meu público do Norte e do Nordeste”, afirma Whitaker.
John John estreia nas franquias
É na John John que está a principal novidade da estratégia. Diferentemente da Dudalina, a marca ainda não possui lojas franqueadas. A entrada no franchising ocorre depois de um reposicionamento que voltou a aproximar a John John de suas origens no denim e no vestuário casual. No primeiro trimestre de 2026, a marca faturou R$ 43,7 milhões, avanço de 7,7% na comparação anual.
Para a expansão, a Veste desenhou dois formatos de franquia, com investimentos e tamanhos diferentes. O modelo full terá aproximadamente 100 metros quadrados e exigirá investimento inicial estimado em R$ 800 mil, incluindo estrutura da loja, mobiliário, tecnologia, estoque inicial e enxoval. A operação terá o mix completo da marca, com jeans, malharia, tricô, couro, alfaiataria e outras categorias ligadas ao lifestyle da John John.
A segunda opção é a John John Denim, com cerca de 60 metros quadrados e investimento inicial estimado em R$ 450 mil. Mais enxuta, a loja será concentrada em jeans, camisetas e acessórios. O formato menor permite à Veste levar a marca para cidades nas quais uma operação completa teria mais dificuldade para atingir a escala necessária.
Segundo os números apresentados pela companhia, os dois formatos têm rentabilidade média estimada em 12% e payback de 2,6 anos. Na loja completa, o preço médio por peça projetado é de R$ 490, com tíquete médio de R$ 1 mil. Na Denim, são R$ 300 e R$ 580, respectivamente.
Dudalina quer chegar a 40 franquias
Se a John John está entrando agora no franchising, a Dudalina parte de uma operação já estabelecida. A marca possui atualmente 35 lojas próprias e 22 franquias, além de cerca de mil clientes multimarcas e presença em sete países. Em 2025, faturou R$ 246,8 milhões, crescimento de 5,2% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, foram R$ 59,5 milhões, alta de 3% na comparação anual.
A Veste pretende terminar 2026 com 30 franquias da Dudalina e chegar a 40 até o final de 2027. A busca prioriza cidades com mais de 90 mil habitantes, PIB mais elevado e perfil de consumo compatível com a marca. A expansão das duas bandeiras poderá ocorrer pelas mãos dos mesmos empresários. Um único franqueado poderá operar John John e Dudalina em um mesmo shopping, embora em lojas separadas. A possibilidade, segundo a companhia, cria espaço para dividir estruturas e reduzir custos de operação.
A busca por grandes operadores
A Retail Mind entra justamente na identificação desses empresários. A consultoria mantém uma base de multifranqueados e investidores e diz adotar uma estratégia ativa de prospecção, em vez de depender apenas dos interessados que procuram espontaneamente as marcas. A empresa busca entender quais setores e regiões interessam a cada investidor para então cruzar essas informações com os planos de expansão de seus clientes. No caso da Veste, as primeiras conversas com potenciais operadores já começaram. “A gente já está falando com muita gente, fazendo essas apresentações”, diz Whitaker.
A Retail Mind trabalha em conjunto com a equipe de expansão da própria Veste. A consultoria identifica os potenciais parceiros e participa das primeiras apresentações, enquanto a companhia fornece a estrutura comercial e operacional e avança nas negociações.
O foco principal continua sendo shopping centers. A avaliação é que esses empreendimentos oferecem fluxo, segurança e proximidade com outras marcas que ajudam a formar o público das duas bandeiras. Lojas de rua podem aparecer em mercados específicos, sobretudo no interior, mas não são a prioridade.
A fábrica por trás das franquias
A Veste também pretende usar sua estrutura industrial como argumento para atrair os novos operadores. O grupo mantém fábricas em Terra Boa, no Paraná, e Aparecida de Goiânia, em Goiás, com capacidade de produção de 1,5 milhão de peças por ano e possibilidade de expansão. A verticalização aumenta a previsibilidade para quem investe nas franquias ao dar à Veste maior controle sobre produção e abastecimento.
A expansão acontece em um momento de crescimento do franchising brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) fornecidos pela companhia, o setor faturou R$ 72,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 10,1% sobre o mesmo período de 2025. Em 12 meses, o sistema movimentou R$ 308,4 bilhões. O segmento de moda respondeu por R$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 2,8%.
Por Pedro Gil
