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Exame: Tivita cria ‘copiloto’ de médicos para registrar consultas com IA

Da redação
21 de setembro de 2026
Startup brasileira leva inteligência artificial para dentro da consulta e planeja expandir tecnologia para hospitais e operadoras de saúde

Um médico dividido entre o paciente à sua frente e a tela do computador, tentando não perder nenhum detalhe enquanto digita, é uma cena tão comum em consultórios brasileiros que quase ninguém mais repara nela. É essa cena, especificamente, que a Tivita decidiu atacar.

A plataforma brasileira de automação para clínicas lança o Agente Digital Tom, sistema de inteligência artificial (IA) que ouve a conversa entre médico e paciente e escreve o prontuário sozinho, sem que o profissional precise digitar uma linha durante o atendimento. É a primeira vez que a empresa entra na própria consulta — até aqui, ela só automatizava o que acontecia antes e depois dela.

“A Tivita já cuidava de tudo o que acontece antes e depois da consulta […] O gargalo que sobrou foi o registro do que acontece dentro do consultório”, diz Claudio Franco, CEO e cofundador da empresa.

Colocar uma IA para ouvir uma consulta médica é um salto de confiança bem maior do que automatizar uma cobrança ou um agendamento — mas, segundo Franco, esse degrau já tinha sido vencido antes do Tom sequer existir. Mais de 3 milhões de prontuários já passaram pela plataforma da Tivita, entre migrados de outros sistemas e criados ali mesmo, palavra por palavra. “Médicos já entregam à plataforma o registro clínico dos pacientes deles, que é o dado mais sensível de toda a operação de uma clínica”, afirma.

Ainda assim, a empresa desenhou limites explícitos para o que a IA pode fazer. O Tom não diagnostica, não prescreve, não decide nada sozinho — só escreve um rascunho, que o próprio médico revisa e assina antes de qualquer coisa entrar no prontuário.

“Essa fronteira é uma escolha de produto, não uma limitação técnica que vamos remover depois”, diz Franco. As gravações usadas para gerar o texto são apagadas logo depois da transcrição; só o registro final fica guardado.

Para os próximos meses, a empresa tem a meta de alcançar 100 mil horas de consulta transcritas por mês, o equivalente a mais de 11 anos de áudio contínuo rodando todo mês, sem parar. “Contrato assinado diz pouco aqui, porque um escriba clínico só entrega valor se o profissional o usa em toda consulta”, diz Franco.

O Tom entra em um time que já tem outros dois nomes: a Júlia, que cuida de agendamentos pelo WhatsApp, e a Tais, que resolve burocracia de convênio. Juntos, esses agentes digitais já respondem por cerca de 30% do faturamento recorrente da Tivita – fatia que Franco projeta subir para entre 45% e 50% nos próximos 12 meses. “Cliente que adota um agente tende a adotar outro”, diz.

O plano seguinte é mais ambicioso do que apenas vender dentro da própria base de clientes: fazer o Tom funcionar sobre prontuários de qualquer sistema, não só o da Tivita — com foco em hospitais e operadoras de saúde que ainda dependem de plataformas antigas, difíceis e caras de substituir de uma vez.

“O foco está em ambiente hospitalar e em operadora verticalizada, onde existe muita plataforma legada em uso […] O caminho mais curto é instalar um agente que resolve o registro sobre o que já está lá”, afirma Franco.

Fundada em 2023 por Franco e Amilton Paglia, a Tivita captou R$ 32 milhões em 2024, em rodada liderada pelo fundo americano FinTech Collective. Hoje, com mais de mil clientes, já processou mais de R$ 1 bilhão em pagamentos — número que, segundo a própria empresa, deve crescer na mesma velocidade que o hábito de largar a caneta durante a consulta.

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Por Tamires Vitorio

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