PATROCINADORES

Exame: “Com a Copa do Mundo, vamos acelerar o turismo no Brasil”, diz nova CEO da Decolar

Da redação
9 de junho de 2026
Com meta para crescer 40% neste ano e patrocínio firmado com a Cazé TV para o mundial, Rafaela Rezende fala em sua primeira entrevista como pretende acelerar o negócio bilionário no país

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, está no radar da Decolar (plataforma digital de turismo) como uma das principais oportunidades para impulsionar o setor de viagens. A avaliação é de Rafaela Rezende, nova CEO da Decolar no Brasil, que concedeu sua primeira entrevista neste cargo à EXAME.

“A Copa é interessante. Qualquer evento que leve as pessoas para o turismo é positivo para a gente”, afirma a presidente.

Para a executiva, grandes eventos têm o poder de movimentar o turismo, mas o potencial vai além das viagens internacionais.

“A nossa estratégia é aproveitar esse momento para consolidar a marca como uma plataforma completa de experiências”, diz Rezende.

A empresa, que foi fundada em 1999, em Buenos Aires, na Argentina, pelo empreendedor argentino Roberto Souviron, recebeu o nome de ‘Despegar’ (mas no Brasil é conhecida por ‘Decolar’).

“A companhia nasceu como uma plataforma online para venda de passagens aéreas e, ao longo dos anos, expandiu sua atuação para hotéis, pacotes, aluguel de carros e experiências turísticas em toda a América Latina”, diz a CEO. “Não somos apenas uma empresa de cotação de voos, entregamos muito mais”.

Para este ano, a empresa que hoje pertence ao grupo Prosus, controlador do iFood, traçou um plano ambicioso para o mercado brasileiro.

“A meta é de crescermos mais de 40% no país, considerado o Brasil como a principal alavanca de expansão da companhia na América Latina”, diz Rezende.

A projeção de valuation da Decolar prevê um crescimento de US$ 1,7 bilhão em 2025 para US$ 6 bilhões até 2030, refletindo a estratégia de expansão e fortalecimento de sua posição no mercado. Em 2025, as vendas do Grupo somaram aproximadamente R$ 33,5 bilhões na América Latina, sendo R$ 13,4 bilhões no Brasil.

“O Brasil, dentro do Grupo Decolar, representa 40% do negócio, e está chegando nos 50%”, diz a CEO.

No ano de Copa do Mundo, a empresa quer ‘decolar’

A Copa do Mundo e os diversos feriados no Brasil neste ano podem ajudar a companhia a decolar nos resultados. E para isso o time já começou a se movimentar em campo. A Decolar fechou uma parceria com a CazéTV para a transmissão do torneio e quer aproveitar o evento para fortalecer sua presença na mente dos consumidores.

“Fechamos uma parceria com a CazéTV, somos a patrocinadora oficial para a transmissão do mundial, mas não apostamos só na Copa. Eu tenho como missão fazer com que a Decolar seja top of mind, que ela esteja na cabeça do viajante”, afirma.

Para Rezende, a empresa precisa deixar de ser vista apenas como uma plataforma de venda de passagens aéreas.

“Quando falam para mim que a Decolar é uma agência que vende passagem, eu fico para morrer. A gente não vende passagens, a gente vende experiências e sonhos”, diz.

Uma empresa que nasceu no digital, digital sempre será – mas com lojas físicas também

Para uma empresa que nasceu no ambiente digital, inovar com tecnologia não é uma novidade, mas uma necessidade. Para isso, a Decolar aposta na combinação entre inteligência artificial e atendimento humano para se manter competitiva em um mercado cada vez mais disputado.

A principal aposta da companhia é a Sofia, assistente virtual da plataforma, que deixou de atuar apenas no pós-venda e passou a participar também da inspiração e do planejamento das viagens. Hoje, segundo a CEO, muitas vendas já nascem a partir das recomendações da ferramenta.

“Ela deixou de ser apenas um suporte de pós-venda e passou a participar da concepção desse sonho. Hoje, 4% do que a gente vende já vem da Sofia sendo esse concierge para o nosso cliente no início da jornada”, afirma Rafaela Rezende.

A executiva ressalta, porém, que a tecnologia precisa gerar resultados concretos para o negócio. “A IA só faz sentido se ela vier para reduzir custos ou aumentar receita, senão ela é só hype”, diz.

Outra grande aposta da companhia no digital foi a criação de um aplicativo no ChatGPT. A partir desta integração, os usuários podem conhecer destinos, explorar opções de voos e avançar na organização da viagem por meio de uma conversa natural, combinando inspiração e planejamento em um único fluxo.

Mas para além do digital, a companhia também investe em lojas físicas.

“A loja é um motor importante para a gente melhorar a confiança do consumidor, é um canal eficiente para essa comunicação e para a gente conseguir aumentar a venda e a conversão.”

Por isso, a CEO avalia ampliar a rede. Hoje, a operação brasileira tem 20 lojas espalhadas no Brasil, além de 37 lojas em outros países da América Latina (13 na Argentina, 4 no Chile, 3 no Peru, 9 na Colômbia e 8 no México).

O turismo doméstico alavanca o negócio

O turismo doméstico terá papel importante nessa estratégia de crescimento da Decolar. Hoje, segundo a CEO, a maior parte das reservas de hospedagem da plataforma já acontece dentro do Brasil.

“Hoje, quando a gente olha para hotéis, 65% dos destinos são dentro do Brasil. Eles não são para fora do Brasil”, afirma.

Ela ressalta que muitas viagens não dependem de transporte aéreo e que a empresa quer ampliar sua atuação nesse segmento.

“Tem muitas viagens que são internas. A gente não depende necessariamente de uma passagem aérea para conseguir prover essa experiência. Uma viagem para Campos do Jordão para quem está em São Paulo também é turismo”, diz.

A brasileira escolhida para acelerar a operação

Há pouco mais de um mês no cargo, Rezende chegou à Decolar após uma carreira construída em grandes empresas do varejo e da tecnologia, como Americanas, Máquina de Vendas, iFood e VTEX, onde teve sua primeira experiência como CEO.

Ela afirma que aceitou o convite por acreditar no potencial de transformação do negócio.

“Eu sou movida pelo poder da transformação. Eu vou questionar o status quo. Aquela resposta de que ‘sempre foi feito assim’ para mim é só gasolina”, afirma.

A executiva também acredita que o fato de não ter vindo do setor de turismo pode ser uma vantagem.

“Eu não tenho vício de olhar. Eu posso questionar qualquer coisa. Quando você traz alguém de fora com uma perspectiva diferente, eu realmente acredito que isso pode mudar o jogo”, diz.

Veja também: A estratégia antifrágil da Petrobras: como a estatal cresce em meio ao caos

O erro faz parte do caminho

Na visão da CEO, crescer exige disposição para correr riscos. Uma das principais lições que carrega da carreira é a importância de lidar bem com os erros.

“Eu não tenho compromisso de tentar acertar sempre. Eu tenho compromisso em fazer com que a gente chegue aonde precisa chegar. Pode ser que, dentro desse caminho, tenha um monte de erro”, afirma.

A filosofia é inspirada no conceito de fail fast ou cultura ‘jet-ski’, bastante utilizada por empresas de tecnologia.

“Vamos testar pequeno, vamos errar rápido, vamos extrair dados, vamos aprender e buscar uma próxima alavanca”, diz.

Para ela, outra habilidade fundamental para alcançar posições de liderança é o autoconhecimento.

“Principalmente nós mulheres precisamos reconhecer a nossa zona de potência, saber no que somos boas e ter a capacidade de se posicionar frente a isso”, afirma.

A executiva é a primeira brasileira a assumir a principal liderança da Decolar no país e vê na nova estrutura um reflexo da estratégia global da empresa.

“Essa cadeira nunca existiu com esse tamanho, autonomia e relevância para conseguir escalar o Brasil do jeito que a gente precisa escalar”, diz.

Para uma companhia que nasceu na Argentina há mais de duas décadas, o próximo capítulo do crescimento deve passar, cada vez mais, pelo mercado brasileiro, rumo aos US$ 6 bilhões até 2030.


Por Layane Serrano

Publicação original

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve