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Estrela pede recuperação judicial após anos de pressão financeira e disputas judiciais

Da redação
20 de maio de 2026
Fabricante tradicional de brinquedos acumula prejuízos, enfrenta passivos tributários bilionários e tenta reorganizar dívidas para manter operações

A tradicional fabricante brasileira de brinquedos Estrela oficializou nesta quarta-feira (20) o pedido de recuperação judicial após enfrentar uma combinação de queda de rentabilidade, elevado endividamento tributário e disputas judiciais que pressionaram seu caixa nos últimos anos. A companhia, conhecida por marcas clássicas como Banco Imobiliário, Falcon e Susi, busca proteger as operações enquanto renegocia obrigações financeiras e tenta reestruturar seu passivo.

Entre os principais fatores que levaram ao pedido está o acúmulo de dívidas tributárias históricas. A empresa vinha negociando débitos próximos de R$ 750 milhões com a União, relacionados principalmente a autuações fiscais iniciadas nos anos 2000. Parte dessas cobranças envolve discussões sobre créditos de ICMS e IPI, além de disputas administrativas e judiciais que resultaram em bloqueios de ativos e forte pressão sobre o fluxo de caixa da companhia.

A deterioração financeira também foi agravada pelo desempenho operacional recente. Em 2024, a Estrela registrou vendas brutas de R$ 188,7 milhões, mas encerrou o ano com prejuízo líquido de R$ 24,3 milhões, refletindo dificuldades para recuperar margens em um mercado cada vez mais competitivo e dominado por importados asiáticos. A abertura do mercado brasileiro aos brinquedos estrangeiros, ainda nos anos 1990, é apontada como um dos marcos da perda de competitividade da companhia.

Outro ponto que contribuiu para o enfraquecimento financeiro da empresa foram as longas disputas judiciais envolvendo gigantes globais do setor. A Estrela trava há anos batalhas com a americana Hasbro por royalties e direitos de comercialização de brinquedos clássicos, além de já ter enfrentado conflitos com a Mattel após o fim da parceria para fabricação da Barbie no Brasil. As ações geraram custos elevados, incertezas jurídicas e impactos sobre parte relevante do portfólio da companhia.

Apesar da recuperação judicial, a empresa tenta preservar a operação apostando em estratégias de nicho, como o relançamento de brinquedos nostálgicos voltados ao público adulto colecionador, ampliação da presença em marketplaces e diversificação para áreas como editora infantil e produtos de beleza. A avaliação do mercado, no entanto, é que a recuperação dependerá da capacidade da companhia de reduzir o peso das dívidas e recuperar geração de caixa em um setor marcado por margens apertadas e forte concorrência internacional.

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