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Empresas têm dados demais e clareza de menos

Lorena Scavone Giron
15 de junho de 2026
Com mais ferramentas, plataformas e métricas disponíveis, companhias enfrentam o desafio de transformar informação em inteligência e separar sinal de ruído virou parte central da estratégia

Empresas nunca tiveram tanto acesso a dados. Monitoram consumidores, concorrentes, reputação, presença na mídia, redes sociais e movimentos de mercado em tempo real. Ainda assim, muitas seguem com dificuldade para transformar esse volume de informação em decisões relevantes.

A contradição ganhou força com o avanço das plataformas digitais, da inteligência artificial e das ferramentas de monitoramento. Se, por um lado, a tecnologia ampliou a capacidade de acompanhar praticamente tudo, por outro, também aumentou o risco de confundir acúmulo de dados com inteligência.

Levantamento da Deloitte mostra que 67% dos executivos ainda não se sentem confortáveis para acessar ou utilizar dados de forma efetiva nos processos de decisão, mesmo em empresas consideradas mais maduras digitalmente.

Para especialistas, o problema já não está apenas em obter informações, mas em interpretá-las. Em um ambiente de negócios cada vez mais acelerado, separar sinais relevantes de ruído passou a ser uma das principais competências das organizações.

“Muitas empresas acreditam que estão bem informadas porque recebem um grande volume de dados todos os dias. Mas quantidade não significa entendimento. Em muitos casos, o excesso de informação acaba dificultando a leitura do cenário”, afirma Cassiano de Bernardis, diretor da Sinopress.

O desafio é especialmente relevante nas áreas de comunicação corporativa. Com a multiplicação de veículos digitais, newsletters, portais especializados e plataformas sociais, cresceu de forma expressiva o volume de conteúdos relacionados a marcas, executivos e setores econômicos.

Nesse contexto, o monitoramento tradicional perde força quando não vem acompanhado de análise. Mais do que contar menções ou medir exposição, empresas passaram a buscar leituras capazes de identificar mudanças de narrativa, temas emergentes, riscos reputacionais e movimentos que podem impactar a tomada de decisão.

“A informação tem valor quando ajuda a compreender contexto. Sem interpretação, os dados registram o que aconteceu, mas dificilmente ajudam a entender o que está mudando”, diz Bernardis.

A tendência é que a inteligência de mídia ganhe espaço mais estratégico dentro das organizações, conectando comunicação, gestão de risco e planejamento de negócios. Em um cenário de abundância informacional, estar bem informado deixou de ser apenas ter acesso a dados, mas passou a depender da capacidade de dar sentido a eles.

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