Fabricante brasileira projeta até US$ 1,5 bilhão por ano com sua subsidiária de eVTOLs e afirma ter reduzido em 28% o tempo de produção de aviões comerciais
A Embraer vê nas aeronaves elétricas uma nova rota de crescimento bilionário, ao mesmo tempo em que avança para tornar sua produção mais eficiente. A fabricante brasileira espera que a Eve, sua subsidiária de mobilidade aérea urbana, gere receita anual entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão após o aumento da produção.
A projeção foi feita pelo CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, nesta terça-feira (9). Segundo o executivo, a estimativa dependerá do desempenho do mercado de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas como eVTOLs.
A expectativa atual é que o modelo desenvolvido pela Eve receba as certificações necessárias e entre em operação em 2028. O projeto é uma das principais apostas da Embraer para ampliar sua presença em novas tecnologias, eletrificação e mobilidade aérea urbana.
Além da aposta na Eve, a companhia também tem avançado na redução do tempo de fabricação de aeronaves. Segundo Gomes Neto, a Embraer reduziu em 28% o tempo de produção de aviões comerciais em 2026, na comparação com 2021, período marcado pelo auge dos gargalos na cadeia produtiva do setor aéreo.
Atualmente, a empresa leva menos de um ano para fabricar um jato comercial. O avanço ocorre após anos de pressão sobre fornecedores, falta de peças e atrasos na entrega de aeronaves, problemas que afetaram fabricantes em todo o mundo desde a pandemia.
A Embraer também registrou ganhos de eficiência em outras áreas. No segmento de aviação executiva, o tempo de entrega dos jatinhos caiu 45% em relação a 2021. Na área de defesa, a redução foi de 34%.
Um dos exemplos citados pelo executivo foi a família Praetor, de jatos executivos. Em 2021, a Embraer precisava de 17 meses para fabricar uma aeronave do modelo. Hoje, segundo Gomes Neto, o prazo caiu para oito meses e meio.
“Estamos fabricando o dobro de aeronaves utilizando a mesma infraestrutura”, afirmou.
Apesar dos avanços, a companhia ainda busca tornar sua produção mais linear ao longo do ano. Historicamente, as entregas da Embraer ficam mais concentradas no segundo semestre. A meta agora é distribuir melhor esse volume ao longo dos meses, reduzindo gargalos internos e dando mais previsibilidade à operação.
Segundo Gomes Neto, 2026 já apresenta melhora em relação a 2025, e a expectativa é que 2027 traga novo aumento de produção, com maior equilíbrio entre fabricação e entregas.
A melhora na cadeia produtiva também tem impacto ambiental. O atraso na entrega de novas aeronaves é uma preocupação para companhias aéreas, já que a renovação da frota é uma das principais estratégias para reduzir emissões. Aviões mais modernos tendem a consumir menos combustível e, portanto, poluir menos.
O setor aéreo assumiu o compromisso de zerar as emissões líquidas de carbono até 2050, em linha com as metas climáticas globais. Para isso, além do avanço em combustíveis sustentáveis e novas tecnologias, as empresas dependem da chegada de aeronaves mais eficientes.
A Embraer projeta receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões em 2026. A meta da companhia é alcançar faturamento na casa dos dois dígitos em bilhões de dólares até 2030 — ou até antes.
Segundo Gomes Neto, a empresa está confiante no cumprimento das metas para este ano. O avanço na produção e a aposta na Eve reforçam a estratégia da Embraer de crescer combinando eficiência operacional, novas tecnologias e expansão em mercados de maior valor agregado.
