A Braskem recebeu aval do conselho de administração para protocolar pedido de recuperação extrajudicial. O objetivo é reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, aproximadamente R$ 56,2 bilhões. O acordo com credores já foi fechado, abrindo caminho para o pedido formal na Justiça, que deve ocorrer ainda nesta segunda-feira (24). A companhia destacou que o processo tem escopo estritamente financeiro e não afeta contratos com fornecedores e clientes.
Segundo informações da Folha de S. Paulo, a petroquímica enfrenta forte pressão de caixa devido à queda nos preços do setor e ao desastre ambiental em Maceió, causado pela extração de sal-gema, que gerou indenizações bilionárias. A alavancagem da empresa chegou a 14,7 vezes o Ebitda, muito acima dos níveis considerados saudáveis. No segundo trimestre de 2026, a Braskem registrou receita líquida de R$ 21,72 bilhões, Ebitda de R$ 1 bilhão e lucro líquido de R$ 3,33 bilhões, revertendo prejuízo do ano anterior.
Fundada em 2002 a partir da Odebrecht (atual Novonor), a Braskem já chegou a valer mais de R$ 60 bilhões em 2017, mas hoje está avaliada em cerca de R$ 6,2 bilhões. Em junho, a gestora IG4 assumiu o controle da companhia, adquirindo a maior parte da participação da Novonor. A Petrobras segue como acionista relevante.
Além da crise no Brasil, a subsidiária mexicana Braskem Idesa entrou em Chapter 11 nos EUA, com dívidas de US$ 920 milhões. A Braskem, como acionista majoritária, se comprometeu a aportar US$ 476 milhões para apoiar a reestruturação. A expectativa é que a operação saia do processo em até 90 dias.
